sábado, 6 de junho de 2009

De La Soul: 20 anos de 3 Feet High...

Tenho cinco versões de 3 Feet High and Rising: uma versão digital que carrego para todo o lado no iPod e uma versão analógica que costumava carregar para todo o lado no walkman (recentemente resisti ao impulso de comprar numa feira de velharias um walkman Sony exactamente ao modelo que tive durante tantos anos...); tenho igualmente uma versão em CD e duas em vinil - a prensagem europeia original que adquiri na Contraverso em 1989 (na verdade foi um presente, mas fui eu que o escolhi) e uma versão mais recente que transpõe o alinhamento para um duplo vinil para melhor qualidade de som. É um disco extraordinário, este 3 Feet High... Psicadélico e inovador, transportou a idade do sampling para um novo patamar e abriu uma ética para o olhar sobre o passado. Da música negra, mas não só.

Há uns anos, escrevi as seguintes linhas como parte de um texto mais alargado que surgiu a propósito de «The Grind Date»:

Apesar dos anos, apesar das suas incríveis capacidades em cima de um palco e apesar de álbuns fantásticos como “De La Soul is Dead” (91), “Buhloone Mindstate” (93) ou “Stakes is High” (96), os De La Soul ainda continuam a ser vistos como os tipos que fizeram “3 Feet High and Rising” (89), sendo continuamente perseguidos pela longa sombra lançada por esse primeiro registo. No fundo, os De La Soul – provavelmente o mais Hip Hop de todos os grupos de Hip Hop – conseguiram inadvertidamente a proeza de assinarem o único álbum de rap que toda a gente que odeia rap adora. “3 Feet High…” é de facto uma obra-prima, mas não pelas razões que normalmente lhe são apontadas (o humor, as rimas technicolor, a aura hippie, os instrumentais dançáveis…). Maseo, Dave e Pos ergueram a sua discografia em cima de um manual de sampling, um verdadeiro turbilhão que resumia a história da música negra em 52 minutos e 44 segundos de retalhos colados com a habilidade de quem tinha passado os dez anos anteriores agachado ao lado da cabine do DJ, a estudar com afinco obsessivo as etiquetas e as capas de todos os discos responsáveis por moverem a multidão. Prince Paul definiu o dogma e o dogma reinou supremo nos dez anos seguintes até que uns jovens de Virgínia Beach começaram a curvar toda uma nação a outro groove. Mas essa é outra história.


Estamos a chegar aos 20 anos de 3 Feet High. É tempo de balanços. A Rolling Stone foi falar com os De la Soul a propósito de tão redondo marco. A leitura é obrigatória e deve começar aqui:

It's been 20 years since De La Soul introduced a funkier, sunnier brand of hip-hop with the genre-broadening classic 3 Feet High and Rising, an album that went on to inspire legions of innovative followers from Digable Planets and Mos Def to OutKast and Kanye West. Mase, Posdnous and Trugoy looked back at 3 Feet and shared some of their plans to commemorate the LP's anniversary in an exclusive track-by-track interview with Rolling Stone.

"We always wanted to be one of those acts that could be considered part of a legendary legacy," says Trugoy, a.k.a. David Jude Jolicoeur. "I remember back in the day, saying it's so cool that the Beatles, Stevie Wonder, David Bowie are still played. That's what we wanted hip-hop to be, one of those genres that doesn't fade out when whatever's new is hot."

With 3 Feet High and Rising, the trio teamed with producer Prince Paul to create a template for free-thinking, creative hip-hop that wasn't afraid to challenge the still-budding genre's norms. "We appreciated what BDP, Dougie, LL and so many others were doing, but we had something else to say, and we knew there were people out there like us that wanted to hear something else," says Trugoy. "We felt like, if we wanted to look the way we looked and touch on topics we did, we shouldn't be fearful of doing it just because it was the boasting and the bragging and the gold chain era. We always felt that individualism and creativity and expressing it was most important."

To mark 3 Feet's two-decade anniversary, De La are putting together a tour, a book and a album including remasters and remixes of the original tracks, along with some "re-interpretations": In 1989, when the LP was released, samples were a new frontier and many on the album were used without clearances, which would prevent the tracks from being re-released. But De La has an electrifying idea about how they can release those songs.


A parte sublinhada a negro deve interessar a todos os fãs de 3 Feet High e dos próprios De la Soul.

Texto inteiro, aqui. Boa leitura!

3 comentários:

  1. grande ano o de 1989.... 3 feet high and rising, paul's boutique, no more mr. nice guy, unfinished business, no one can do it better, ghetto music, the cactus album....

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  2. Esse é um dos grandes clássicos do hip-hop, pois claro! “3 Feet High and Rising” rendeu uma mão-cheia de temas orelhudos. De memória, me lembro por exemplo de “Me, Myself and I” e “The Magic Number”, mas todo o disco merece ser escutado de uma ponta à outra. O disco saiu em 1989, mesmo no finalzinho de uma década dourada para o hip-hop. Ainda me lembro com grande saudade de como era ligar o rádio e ouvir aquele som puro, sentido e limpo, difícil de encontrar hoje em dia. Se você é saudosista que nem eu, checka a rádio Hip-Hop Gold nesse site http://cotonete.clix.pt/. Show de bola!

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