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segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Gil Scott-Heron na BBC
E o "regresso à vida" de Gil Scott-Heron continua a gerar conteúdos de interesse. Desta vez, o homem de «The Bottle» e «The Revolution Will Not Be Televised» foi entrevistado na BBC.
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Gil Scott-Heron
sábado, 17 de outubro de 2009
Gil Scott-Heron de regresso
GIL SCOTT-HERON
“Winter in America”
(Strata East/Get Back/Trem Azul)
“Look around in any corner/if you see some brother/looking like a gonner/it’s gonna be me…” Quando Gil Scott-Heron gravou estas palavras na canção “The Bottle”, incluída no memorável “Winter in América” (o seu único álbum para a “cult label” Strata East, originalmente editado em 1974), não podia imaginar que por esta altura haveria de estar a cumprir uma sentença de prisão por posse e consumo de cocaína. Diz-se que a arte imita a vida, mas no caso particular de Gil Scott-Heron parece que a sua vida cumpriu os desígnios que originalmente o inspiraram a escrever.
Scott-Heron é, sobretudo, um poeta que, como poucos, soube cantar a negritude na América, nunca se coibindo de expor os podres que avassalavam as suas ruas, apontando o dedo aos responsáveis de ambos os lados da barricada que delimita o “ghetto”. Neste álbum, por um lado, temos um profundamente irónico “H2O Gate Blues”, sobre o escândalo de Watergate denunciado pelo Washington Post, mas também se encontra “The Bottle”, um retrato agudo do vício dentro da sua comunidade. “See that black boy over there running scared/His old man in the bottle/He done quit his 9 to 5 he drinks full time/and now he’s living in the bottle…” Gil Scott-Heron, qual “griot” moderno, observa o pulsar do seu povo de uma esquina espiritual para depois disparar a pergunta “And don’t you think it’s a crime when/time, after time, after time, ‘people in the bottle?/There’s people living in the bottle…” Gil não fornece respostas, apenas se questiona, agitando bem em frente do seu próprio nariz um espelho que reflecte a complexidade de uma comunidade a braços com um novo género de devastação – interna, funda, dolorosa. Mas, como explica nas notas que assina no interior da capa deste álbum, “black people have been a source of endless energy, endless beauty and endless determination.” E realmente, a misteriosa beleza da arte de Gil Scott-Heron pode começar a explicar-se pelo facto da sua voz irradiar, a um tempo, dor e esperança, derrota e determinação.
“Winter in América” marcou o arranque da colaboração de Gil com o pianista e arranjador Brian Jackson, que o haveria de acompanhar até aos anos 80, através da sua discografia na Arista. A música que ambos criaram neste álbum é profundamente espiritual, descolando para um plano mais físico, como em “The Bottle”, quando as palavras adquirem a crueza de uma tentativa de abanão das consciências. Enleada na reverberação cristalina do Fender Rhodes, a voz de Gil Scott-Heron assume uma dignidade inabalável e, quase trinta anos depois da edição original, faz de “Winter in América” um presságio negro. Ainda nas notas do interior deste álbum, Gil Scott-Heron escreve: “We approach winter, the most depressing period in the history of this industrial empire, with threats of oil shortages and energy crises.” Os tempos não mudaram. E agora, é Gil que se encontra preso dentro de uma garrafa feita de grades. Peace go with you, brother! We will see you in the spring… RMA
Excertos de «I'm New here»
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