
O Super Disco de hoje promete muito. Promete, nomeadamente, resolver um mistério que já me acompanha há uns anos: quem eram, afinal, as pessoas por trás da Warm Records, editora que listava sempre duas moradas nas contracapas dos seus discos, incluindo uma de Londres e outra de... Azeitão. Nada no Discogs ainda hoje, pouco ou nada no Google, este era um mistério que ameaçava persistir, mas que hoje, com o convite dirigido a Rui de Castro,irá desaparecer. Finalmente. Mais abaixo encontram o texto que a Flur colocou no blog e no Facebook para promover o evento e onde muito acertadamente se fala de "arqueologia musical" e que situa a pessoa de Rui Castro. Logo depois, um par de velhos textos do Hit da Breakz onde dava conta de alguns achados com selo Warm Records. Mais recentemente encontrei outros dois discos para acrescentar a essa lista: um single de uma tal de Robot Jukebox Band (fantástico nome) com duas delirantes faixas creditadas a um tal M. de Castro - tem que ser familiar! - «Sweet Sixteen» e «Sàbado à Noite»; e ainda um álbum com uma incrível Megamix disco creditado a uns tais Enigma e que tem o título «Ain’t No Stopping Disco Mix 81» (tenho um exemplar a mais: candidatos a troca deixem comentários por aqui).
O tema que a Flur colocou no blog e que mais abaixo linko igualmente do YouTube vai obrigar a reescrever a história do hip hop em Portugal. E, lentamente, começa a desenhar-se outra imagem de Portugal nos idos de 80: um pioneiro do electro rap aqui, uns músicos de Disco ali (Toronto) e até um criador de acid house acolá (há uns tempos encontrei um maxi inglês de 88 com um nome indiscutivelmente português de que não consigo recordar-me agora nos créditos).
Imperdível Super Disco mais logo, portanto (imperdível para todos, menos para mim que, provavelmente, terei que apenas escutar o programa de rádio mais tarde...). We'll see.
A descrição que se segue parece fabricada, um sonho de arqueologia musical, histórias vividas em primeira mão e na primeira pessoa, tudo verdade: Rui de Castro viveu em Londres durante a década de 70, assistiu por dentro à ascenção e decadência do pun...k, vizinho da frente de Johnny Rotten, músico (The Warm), editor (Warm Records, inaugurada com dois singles em 1976), contacto privilegiado de António Sérgio para fornecer novidades frescas de Inglaterra. Regressado a Portugal no início da década de 80 viu frustradas pelo “Sistema Fonográfico” vigente as suas tentativas para fazer cá uma editora independente. Um resultado visível de toda essa frustração é o single de 7″ “O Pirata (Pirata Rap Attack)”, auto-produzido e editado em 1984 sob o nome Rui de Castro e o Grupo Português de Piratas. O formato rap/electro faz deste disco uma peça única no panorama discográfico português, a letra aborda em tom de sátira o assunto sempre relevante do direito à diferença e auto-determinação. Este é o Super Disco para dia 14 de Novembro. Mário João Camolas tem um dos dois ou três exemplares alegadamente vendidos e estará connosco na mesa para conversar com Rui de Castro.
Do Hit da Breakz
TOUCHDOWN - Aquadance/Ease Your Mind (12", Warm Records, 1982)
Com este máxi aprendi que tudo o que me surgir à frente com selo da Warm Records merecerá a minha atenção. Jazz funk executado para pista de dança no lado B e um pedaço de céu punk funk no lado A tornam este 12" dos Touchdown (não perguntem que eu não sei quem eles são...) uma presença obrigatória na minha mala de discos, com resultados já comprovados nas noites dos Loop Diggaz no Mercado (a próxima é já dia 12 - marquem nas agendas!). Não há muito mais a dizer: ouçam!
SURFACE NOISE - The Scratch (LP, Warm Records, 1981)
Nada sobre estes tipos no Google, mas este álbum é uma obra-prima. Com uma ligação a Portugal (mais concretamente a Azeitão, de onde deveria ser, a acreditar no apartado que aparece na contracapa, o senhor Cardoso que aparece referenciado nos créditos), esta editora Warm Records apresenta os seus discos em capas baratas e básicas, mas a música nela contida é entusiasmante. Este álbum foi criado por Chris Palmer (o nome é demasiado vulgar, mas poderá ser o mesmo Chris Palmer que tocou com os Egg de Dave Stewart em 1974...) e é um poderoso cocktail de funk, disco, jazz e electro, bem ao sabor do que os produtores mais informados faziam no início dos anos 80. Há um single deste tema, The Scratch, mas nunca se atravessou no meu caminho. Mais dia, menos dia...