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domingo, 24 de maio de 2009

Rip it up # 5: Avôzinho - Mamã Mamã Divua Diame

A compilação «ComFusões 1 - From Angola to Brasil» reúne produtores basileiros (Maurício Pacheco, Moreno Veloso, Dj Dolores e até o brasileiro "honorário" Mario Caldato Jr.) e clássicos de Angola, de Teta Lando e Bonga até aos Merengues e a Elias DiaKimuezo. Essa compilação chegou-me às mãos na passada segunda-feira e dediquei-lhe a primeira hora do África Eléctrica que passa na madrugada da próxima terça-feira. No domingo anterior, há uma semana portanto, passei na feira de Paço de Arcos e encontrei alguns singles da etiqueta Merengue que, em 1975, era uma das formas de celebração da independência de Angola. Um deles de Avôzinho, que agora surge remisturado na já referida compilação (depois de ter sido incluído, no início da década, na excelente Angola 70s da editora Buda Musique). Mais uma coincidência para a história das felizes coincidências que de vez em quando acontecem no mundo de quem procura discos e que reforça a ideia de que não somos nós que encontramos os discos, mas os discos que nos escolhem a nós (ideia um pouco hippie, mas ainda assim interessante...).
Como digitalizei o single de Avôzinho para a já referida emissão de África Eléctrica, parece-me mais do que apropriado deixá-lo por aqui. Música de Angola tocada pela liberdade. Como já referi anteriormente, estou a precisar de uma nova agulha, mas vale a intenção.

Avôzinho - Mamã Mamã Divua Diame

Avôzinho - Sakeça Mukongo

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Rip it up # 4: King Floyd - Think about it

Uma das minhas últimas passagens pelas feiras da zona de Oeiras rendeu, por 2 euros, um King Floyd de prensagem americana original na ATCO, etiqueta da Atlantic. O álbum foi gravado em 1973 em Jackson, Mississippi e produzido por Elijah Walker. Nesta época a Atlantic mandava pessoas de Nova Iorque para investigarem o que faziam etiquetas mais pequenas e foi exactamente dessa forma que King Floyd foi descoberto. O interessante destas gravações é a honestidade que contêm: sem truques absolutamente nenhuns, isto é soul da mais transparente que existe, com músicos de grande calibre a debitarem alma de cada vez que o engenheiro grita "rolling tape". Para lá das canções (e este é um belíssimo disco com grandes canções), o que me fascina aqui é o som - de cada vez que o baterista acerta na tarola quase dá a impressão que se pode ver a sala onde estão a decorrer as gravações. A minha agulha não está na melhor das formas e vai-se abaixo nas frequências mais altas, não fazendo justiça aos hi-hats e à secção de metais. Mas para os que aí foram procuram papinha para o sampler, talvez os drums que se encontram no início destes wavs sejam úteis (se não conseguem samplar de vinil, pelo menos tentem arranjar wavs e não samplem mp3, vá lá...!). Para ouvir o álbum todo, recomendo uma passagem por aqui.


King Floyd - do your feeling

King Floyd - hard to handle

King Floyd - woman don't go astray

sábado, 21 de março de 2009

Rip it up # 3: The J.B.'s International - Nature (Pt. 1)/Nature (Pt. 2)

Na década de 70, James Brown não conquistou o título de "hardest working man on showbusiness" por dá cá aquela palha: para contornar contratos ou simplesmente para canalizar toda a sua energia, Brown desmultiplicou-se em variadíssimos projectos e a dado ponto era até impossível distinguir os discos que assinava na capa daqueles que "simplesmente" produzia. E o seu "gang", os J.B.'s, assumiu-se como grupo em permanente mutação para poder responder às exigências do líder. Banda construída em torno de notáveis como Bootsy Collins, "Catfish" Phelps, Bobby Byrd, "Jabo" Starks ou da fantástica secção de metais formada por Maceo Parker, Fred Wesley e Pee Wee Ellis, os J.B.'s assumiram muitos nomes - Fred Wesley & The J.B.'s, Maceo and the Macks, Fred and the New JB's, The James Brown Soul Train, The Last Word, The First Family e, claro, os J.B.'s International que hoje aqui trazemos.
Com data de 1977 e selo da Brownstone, label criada pelo próprio James Brown e por Henry Stone da fabulosa T.K. Records, este single é mais uma poderosa amostra daquele groove que só esta máquina parecia saber produzir: mais tight do que os collants do Robim dos Bosques, mais sinuoso do que uma estrada de montanha, mais infeccioso do que uma doença venérea. Bom download!

The J.B.'s International - Nature (pt. 1)

The J.B.'s International - Nature (pt. 2)

domingo, 1 de março de 2009

Rip it up # 2: Black Heat - The Jungle pt 1/The jungle pt 2

Em 1972, a música negra expressava orgulho nas origens africanas e "selva" passou a ser código para uma série de ideias - cidade, pressão, raíz. Sob certos aspectos este «In The Jungle» dos Black Heat é precursor dos muitos "it's like a jungle sometimes" que anos mais tarde o hip hop haveria de utilizar para descrever as "inner cities". Na prática, são cerca de 5 minutos de concentrado groove que integra as lições de James Brown num espírito ultra-militante. Na sala de ensaios dos Black Heat existia, de certeza, pelo menos um poster de Huey P. Newton.
O álbum de 1972 dos Black Heat foi uma das primeiras entradas na minha colecção de funk, no início dos anos 90, mas o single foi uma aquisição mais tardia. E este é um daqueles pedaços de groove que importa ter neste concentrado formato. Por isso, e sem mais delongas, aqui vai:

Black Heat - In The Jungle (pt 1)

Black Heat - In The Jungle (pt 2)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Rip it up # 1: Young Holt Unlimited - Wah Wah Man/Luv-Bugg

Por coincidência (ou talvez não...), o primeiro single em que peguei para inaugurar esta nova série aqui no 1/4 the treble, 2/4 the bass foi Break da Semana TM no Hit da Breakz (em 2005, já lá vai muito tempo), mas isso não impede que volte a este single agora que se estreia o Rip it Up. E em que consiste esta rubrica? Muito simples: rips de vinil da minha colecção. Ao contrário do Break da Semana, onde só se mostravam os breaks, aqui hão-de surgir as faixas completas, independentemente de terem ou não breaks, em formato wav não vá alguém querer samplar um pedaço ou passar o tema num clube. Para não falhar, não irei impôr nenhum tipo de regularidade: o Rip it Up aparecerá quando for possível, quando tiver tempo e, espero, tanto terá singles como maxis ou álbuns (e, quem sabe, algumas cassetes). Para já, então, eis a primeira escolha, um single da dupla Young Holt Unlimited de 1971. E uma vez que o trabalho já está feito, eis o que escrevi em 2005, no HdB:

Wah Wah Man aparecia originalmente no álbum de 71 Born Again em que Redd Holt e Eldee Young (baterista e baixista, respectivamente, com um longo currículo onde se inclui, nomeadamente, a ocupação de dois terços do lendário Ramsey Lewis Trio) efectuavam uma das suas classy journeys pelo território do jazz e do funk.

O break em si é pura classe, claro. Com Young a obrigar as peles da tarola e do bombo a sincoparem um irresistível ritmo que tem funk escrito por todos os lados. Alguns de vocês poderão já conhecer o break de um dos discos que o samplou, uma vez que tanto os Ugly Duckling como Lord Finesse, Show & AG e Akinyele já o usaram.


Luv-Bugg, no lado inverso, é mellowness da mais pura, com os Young Holt Unlimited a deixarem claro que são capazes de fornecer a banda sonora tanto para o clube como para o quarto.

Young Hold Unlimited - Wah Wah Man
Young Holt Unlimited - Luv-Bugg