
Last warning!
Até amanhã.
Todo o funk que há no jazz, todo o rock que há no disco, toda a soul que há na folk, todo o passado que há no futuro. Discos, ideias, textos.
Como forma de preparação para a sessão de amanhã, na Crew Hassan (Rua do Coliseu dos Recreios), a partir das 16 horas, deixo aqui uma série de Tops que poderão funcionar como guias para quem gosta de expedições de procura de vinil. Ou não.
Chega uma altura na vida de todos os diggers em que a terrível pergunta "será que eu preciso de ter mais discos em casa?" se coloca, provavelmente no preciso momento em que se decide marcar um café com um amigo para aquela esplanada ao lado da Cash Converters ou daquele secret spot que não se partilha com mais ninguém. E a alma acalma-se apenas quando nos recordamos que ninguém procura discos porque precisa, mas porque quer. Fazer diggin' é abraçar a constante possibilidade de se ser surpreendido, abrir a cabeça a um praticamente infinito número de coordenadas que, no mesmo dia, no mesmo spot, nos pode impelir nas mais distintas direcções: antes de ontem, por exemplo - dois discos de Joan Baez, um de Peter Green, um de Chubby Checker, outro de Herman's Hermits, um álbum produzido por Gino Soccio, outro assinado pelos Voyage e outro ainda dos Space colocaram folk, british invasion pop, rhythm n' blues e limbo (check the cover!!!) e disco sound no mesmo saco. E pelo preço de um simples CD. Como é claro, será difícil mantermo-nos a par das mais recentes edições no tipo de lojas onde se encontram lotes destes, mas não é disso que se trata aqui e, para falar verdade, não conheço nenhum digger convicto que tenha voltado as costas ao presente. Melhor ainda: acho que os diggers a sério são os que encontram no presente os estímulos para explorar o passado.
Há pelo menos 25 anos que me desvio do meu caminho para procurar discos - em lojas de móveis em segunda mão, armazéns, casas de particulares, garagens, lojas de electrodomésticos, antigos estúdios de rádio... neste tempo todo, até em lojas de discos procurei saciar esta inexplicável sede de vinil que é também, penso, uma sede de compreender e conhecer tanta música quanto seja humanamente possível.