
O África Eléctrica # 29 é inteiramente dedicado aos
Osibisa, uma banda pan-africana (com músicos do Ghana, Nigéria e das Caraíbas) que alcançou um notório sucesso nos anos 70, operando a partir de Inglaterra. Os Osibisa eram um grupo especial - faziam colidir de forma incendiária a alma rítmica do grande continente africano com cores aprendidas no rock, no funk e no jazz e, claro, com alguns temperos latinos por via dos músicos que vinham das Caraíbas. Algo mais contribuiu para o carácter único dos seus lançamentos - as suas capas de discos:
Roger Dean, o homem dos delírios progressivos em capas dos Yes ou Uriah Heep, teve mão nos dois primeiros álbuns dos Osibisa e
Mati Klarwein, que traduziria a busca de novos mundos em capas de discos de Santana e Miles Davis, foi o responsável pelo terceiro álbum, «Heads».
Curiosamente, os álbuns dos Osibisa são muito fáceis de encontrar no "terreno" por cá: tenho praticamente a discografia completa e já fiz inclusivamente upgrades nalguns álbuns para cópias em excelente estado e sempre os comprei a preços algo reduzidos por cá. Provavelmente, muitos dos seguidores dos delírios sinfónicos deixaram-se enganar pelas capas. Na verdade, as longas estruturas dos temas dos Osibisa devem algo ao carácter progressivo da época que os viu nascer, mas o groove, a gestão rítmica dos temas, as secções de metais, o orgão em ebulição não deixam enganar - esta era uma banda com os pés bem fincados na terra. Na terra quente do continente africano. Procurem, sff!
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