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sábado, 12 de setembro de 2009

Tighten Up hoje no Bicaense - RMA's Chart

E como prometido ontem, deixo aqui a chart que dará uma ideia do que vai na minha caixa de 45s para logo à noite.

RMA's Chart
The James Brown Soul Train - Honky Tonk
Natural Bridge Bunch - Pig Snoots
Mongo Santamaria - We Got Latin Soul
Los Albas - Bugulu
The Mohawks - The Champ
The Atlantic Sounds - Pata Pata
Kings Go Forth - Don't Taje My Shadow
Kings go Forth - Now We're Gone
The Delta Rhythm Section - Nassau Strut
Bronx River Parkway - La Valla

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tighten Up - amanhã no Bicaense


O Facebook tem destas coisas: manda-se uma boca e o resultado pode ser fantástico, como, por exemplo, ser convidado por dois notórios e honrados guerreiros do groove para partilhar a cabine em noite de baixas pressões. Será portanto amanhã que rumarei até ao Bicaense só com 45s debaixo do braço para um encontro que será certamente memorável para mim. Em jeito de desafio, pedi aos excelsos Dedy & Mr_Mute que me fornecessem as suas respectivas charts para assinalar o momento. A minha será por aqui postada amanhã, derradeira tentativa de vos convencer a aparecerem por lá!

MR_MUTE's Chart
1. Harvey Scales and the 7 sounds - Get Down
2. Detroit Sex Machines - Funky Crawl
3. Ray Camacho and the Teardrops - Si si puede
4. Cold Blood - I'm a Good Woman
5. Labi Siffre - I got the
6. Steven Ellis - Loot
7. Stevie Wonder - You met your match
8. Faith - Freedom
9. Lack of Afro - The Outsider
10. Salah Rageb - Egypt Strut

DEDY's Chart
1. Mike Pedicin - Burn toast and black coffee
2. Luther Ingram - Oh baby don't you
3. Donnie Elbert - A little piece of leather
4. Little Willie John - I'm shaking
5. Mickie Champion - What god im i
6. Marlena Shaw - California Soul
7. The Cardinals - Choo Choo
8. Manny Corchado - Pow Wow
9. The Mighty Show-Stoppers - Hippy Skippy Moon Strut
10. The Otis and Carla Band - Tramp

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Kings Go Forth: o poder eterno do rhythm n' blues


Encomendei directamente aos Kings Go Forth os dois últimos singles de uma série de três. O primeiro é já uma desejada raridade que, sabe-se, o grupo não tenciona reprensar. Ao que tudo indica o mesmo destino esperará os outros dois singles, uma vez que há neste momento alguma atenção devotada a este grupo que deverá ainda este ano estrear-e em formato grande através da Luaka Bop.
Os Kings Go Forth juntam funk, soul e rhythm n' blues com harmonias vocais que há muito não se faziam ouvir desta maneira. Conseguem assim um som que deve tudo ao passado, mas que não é meramente revisionista. Com membros de diversos colectivos de Milwaukee (de jazz e de música latina ou até ska), há um colectivo de experiências nos Kings Go Forth que lhes dá uma perspectiva singular. E fresca. Esta é música profundamente honesta e, sinceramente, o presente precisa de coisas assim.

Mais informação.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sharon Jones & The Dap Kings ao vivo



Mais de 50 minutos ao vivo. Um luxo!

Há ainda uma entrevista repartida por vários links.

Entrevista parte 1
Entrevista parte 2
Entrevista parte 3
Entrevista parte 4

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Gabriel Roth: a arte de gravar funk

Gabriel Roth, timoneiro da Daptone, homem forte dos Dap Kings, banda de suporte da poderosa Sharon Jones, é um pequeno génio. E utiliza-se a palavra "pequeno" apenas porque as revoluções que comanda são de ordem quase privada, o que não faz da música que vai editando uma entidade menos explosiva. Desde os tempos da Desco e das suas extraordinárias invenções - Daktaris!: anos luz à frente do regresso à estética afrobeat - que Roth tem vindo a desbravar caminho. Directamente para o passado!
O maior funky/disco/northern soul dancer do nosso país - que por acaso vem da Bélgica -, o senhor Kris "Wickywacky", chamou-nos a todos à atenção para o artigo que há muitos anos Roth publicou na saudosa Big Daddy Magazine. Um guia tutorial para a gravação de funk com recurso a equipamento budget. Feito com imaginação e humor, este guia continua actual e é uma autêntica porta para um diferente universo estético e poderá ser descarregado nos links abaixo. Roth abordou a sua peculiar arte de engenharia de som na revista Sound on Sound e esse artigo poderá fornecer mais um par de dicas preciosas na hora de decidir como captar o som de uma bateria, por exemplo. No final do ano passado, o fenómeno Daptone foi igualmente responsável por um artigo no New York Times que provavelmente até terá tido relação directa com um bem publicitado assalto de que o quartel general de Roth sofreu.
A propósito do artigo do NY Times escrevi para a Op. as linhas que abaixo se reproduzem:

No final de 2008, o New York Times publicou um revelador perfil de Gabriel Roth, um génio discreto que encenou praticamente sozinho um regresso a um passado carregado de soul para dessa forma reinventar o presente. Primeiro com a Desco, ao lado de Phillipe Lehman (mais tarde mentor da Soul Fire e, actualmente, da Truth & Soul), e depois com a Daptone, Roth voltou as costas ao presente – estético, mas também tecnológico – e em plena derrocada da indústria musical ergueu uma operação cuja única real preocupação é o groove, tal como enunciado por James Brown algures no final da década de 60. Boa parte da produção de Roth foi disponibilizada em vinil de sete polegadas e registada em tecnologia que seria considerada ultrapassada até em Bombaim e, de alguma forma, em vez de desaparecer, a visão deste homem criou raízes e até uma certa notoriedade.
Roth visitou Lisboa há alguns anos com o seu mais visível projecto, os Dap Kings, na altura em digressão com Sharon Jones. Baixa, negra, com peso a mais e 52 anos de idade, esta ex-guarda prisional de Ryker’s Island que vive num bairro social de Queens será tudo menos uma potencial estrela pop. E no entanto, a música que criou com os Dap Kings encontrou lugar no mundo da publicidade (em Portugal serviu de banda sonora a uma campanha de um banco) e inspirou até outra improvável pop star, Amy Winehouse, que usou os Dap Kings em boa parte de “Back to Black”.
Roth, como Leonard Chess antes dele, é judeu, facto que não o impede de escrever sentidos temas gospel para Naomi Shelton, uma empregada de limpeza à beira dos 60 anos que é líder das Gospel Queens. Gabriel Roth, como o artigo do New York Times deixa muito claro, construiu uma carreira com artistas que nunca teriam lugar no mapa pop usando métodos que a indústria descartou há décadas. Mas a pop está atenta: Kanye West e Jay-Z já reconheceram o pedigree das suas criações, samplando-lhe os grooves. Mais: a indústria ofereceu-lhe um Grammy pela engenharia de som no álbum de Amy Winehouse e a Universal enviou-lhe um disco de platina emoldurado, que agora adorna a casa de banho da Daptone, num edifício situado na zona menos glamourosa de Brooklyn.
Há uma lição por aqui, embora não seja totalmente clara. Gabriel Roth, contra todas as tendências – do mercado, da própria bolsa de valores estética da música popular – baseou a sua carreira na simples vontade de, como explica no referido artigo, “fazer o tipo de discos que gostaria de ouvir” prometendo a si mesmo que nunca editaria música de que não gostasse. Numa era de artifícios em que a pop é cada vez mais um espectáculo de máscaras e em que a música abandona progressivamente o plano físico – numa complexa transformação do modelo de negócio que tem levado muitas pequenas companhias a fecharem portas – Gabriel Roth e a sua Daptone são uma raridade que importa preservar. Na honestidade com que gere o seu negócio – no artigo do NY Times escreve-se como Roth preferiu abdicar de muitos milhares de dólares em royalties em vez de perder uma artista como Sharon Jones – e na extrema devoção a um particular modelo estético pode ver-se uma forma para enfrentar os adversos tempos que parecem estender-se à nossa frente. No negócio da música importa não esquecer que a música deve ditar o ritmo do negócio e não o contrário.


E pronto: a todos os funkers - ou simplesmente curiosos - aí fora, estes dois ficheiros pdf deverão interessar bastante.

How to record funk - part 1

How to record funk - part 2

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Kon & Amir na Spinemagazine

Já há algum tempo que não checava a Spinemagazine, em tempos fonte praticamente diária de informação relevante. Mas em boa hora o fiz porque acaba de ser disponibilizado novo episódio do continuado Kon & Amir Show, verdadeiro festival de grande música oferecido por dois dos maiores diggers do planeta. Kon & Amir têm andado particularmente activos com a série Off Track a impor-se na BBE como frente de actividade legítima e uma continuação do trabalho iniciado no underground com a aplaudida série On Track. Recentemente a dupla foi igualmente responsávfel por uma parceria com a marca americana de t-shirts 101 Apparel (entrevista com os responsáveis da marca por aqui muito em breve) para quem realizaram o mix CD Music is The Message. O CD obtem-se adquirindo a t-shirt (o meu exemplar já cá canta!) que é mais um exemplo feliz da linha de design da 101 Apparel que parece ser pensada propositadamente para diggers e fãs de música mais conotada com os universos do groove.
No site da Spinemagazine estão disponíveis, na secção de arquivo da rádio do site, arquivos de programas de Kon & Amir (e não só...) que remontam a Julho do ano passado. São muitas horas de grande música preparadinha para se encaixar nos nossos iPods e servir de banda sonora para o Verão (e de fasquia para as nossas incursões no terreno!).

domingo, 26 de abril de 2009

Pedro Tenreiro - Club de Funk

Pedro Tenreiro é um grande amigo de muitos anos. É igualmente uma das pessoas que mais respeito no complicado mundo da música em Portugal. Para começar porque é uma pessoa certa no lugar certo, caso mais raro do que se possa pensar numa indústria em que nem todas as pessoas têm perfil ou paixão para fazerem o que tem que ser feito. Depois porque é um poço de conhecimento musical em variadíssimas vertentes, sobretudo nos territórios da música mais dançante. E também, para não prolongar mais a lista, porque tendo todas essas qualidades não deixa de ser uma pessoa humilde, acessível e completamente disposta a partilhar todo esse conhecimento e experiência.
Reencontrei-o recentemente no lançamento d'Os Tornados (grupo que convém ter debaixo de olho - recupera o som do universo explorado com a série Portuguese Nuggets com grande estilo e panache!) e cumpri um desejo que data do primeiro momento de criação deste blog: uma entrevista acerca do Clube de Funk, verdadeiro epicentro do tranquilo cataclismo de groove que se começa a fazer sentir no nosso país (Mr. Lizard, Cais do Sodré Funk Connection). Pedro é um verdadeiro militante desta causa e tem o mérito de ser o grande responsável por deixar o nosso país na agenda dos maiores djs de deep funk do mundo.
Quando e como é que surgiu o Clube de Funk? Com que regularidade acontece?
O Club de Funk nasceu em Novembro de 2005. A minha intenção era ter uma noite mensal de Funk e Soul das décadas de 60 e 70, raro e praticamente desconhecido, e ter um grupo de 6 especialistas - Keb Darge, Ian Wright, Snowboy, Jazzman Gerald, James Trouble e Fryer - em rotação, a passar discos comigo, todos os meses. Começamos nos Maus Hábitos, passamos pelo Pitch e pelo Passos Manuel e, desde Setembro, estamos no Plano B, sempre numa base mensal, embora nos últimos tempos só tenhamos convidados trimestralmente.
Que balanço fazes desta noite, até agora?
O melhor possivel. A noite é um sucesso. Quase todas as cidades europeias têm pelo menos uma noite de Funk e Soul bem sucedida. Acreditei que também era possivel construir isso no Porto e, neste momento, sempre que um dos nossos especialistas nos visita fica impressionado com o numero de pessoas que o Club de Funk tem e com a sua predisposição para dançar.
Qual dos teus especialistas te surpreendeu mais até agora e porquê?
Todos são muito bons, embora diferentes. O Keb é um monstro, é sem dúvida alguma o maior dj de Funk do planeta. Pessoalmente adoro o Ian Wright. É aquele que mais música que nunca tinha ouvido na minha vida me deu a conhecer. E que música!Tem provavelmente a melhor colecção de Funk 45s do mundo...
Por a cultura de música negra ser algo de relativamente recente entre nós, não achas que de todas as bandeiras que é possível erguer nessa área a do funk é a mais complicada? Sentes que o Clube de Funk está também a formar um público?
Por acaso não acho. É muito mais dificil passar Soul do que Funk, por exemplo. Talvez por o Funk ser mais crú, mais visceral, as pessoas que cresceram a ouvir Rock têm mais facilidade em aderir-lhe do que aquela que se possa pensar. Talvez por isso é que ultimamente o Keb mistura muitas vezes Rockabilly e Jump Blues nos seus sets. Mas não tenho dúvida alguma que mesmo assim o Club de Funk está a formar um público. Em 4 anos sentem-se diferenças muito grandes na reação que as pessoas têm à música. O que começou por uma agradavel surpresa aos poucos está a transformar-se em militância.
Vamos recuar no tempo: como é que começou a tua relação com este género musical em particular?
A minha fixação pela música negra começou a ganhar forma nos anos 80. Mas nessa altura Funk para mim não era muito mais do que o James Brown e companhia, os Kool and the Gang, os Meters, a Stax e pouco mais. Apaixonei-me primeiro pelo Jazz. A meio dos 90 fui ao Deep Funk em Londres e fiquei maluco. Depois comecei a comprar todas as colectâneas do Keb Darge e de Deep Funk que iam saindo. Vi nascer a Pure Records, depois a Desco, a Daptone e a Soul Fire. Comecei a coleccionar singles e fiquei agarrado!
Como é a tua relação com os discos? És coleccionador? Compras muitos? fazes questão de ser purista e ter os originais?
Sou um viciado! Compro tantos quanto o meu dinheiro me permite. Cada vez viajo menos e passo férias cada vez mais "low cost" porque gasto mais dinheiro do que devia em discos. Mas não sou purista. Há demasiada música que quero, demasiada música que estou constantemente a descobrir para fazer questão em ter os originais. Tinha de ser muito rico! Há alguns discos que se puder ter o original não hesito mas também já vendi discos originais porque entretanto foram re-editados e com o dinheiro que renderam pude, além da sua re-edição, comprar mais 10 ou 20...
Quantos discos de funk tem a colecção e em quanto é que a avalias?
Talvez uns 1500, talvez mais. É dificil compartimentar o Funk. Se estivermos a falar de música negra entre 1962 e 1982, por exemplo, terei, seguramente mais de 5000 discos. E, muito sinceramente, não sou capaz de a avaliar.
Qual o disco de funk mais precioso da tua colecção?
Também não sei. Tenho bastantes discos que valem pelos menos 500 euros, mas não tenho nenhum daqueles que valem 1000, 2000 ou 3000. Nesses casos tenho a re-edições. Todas!
Que tipo de reacções recebes do público nas noites Clube de Funk? Já há seguidores regulares?
Há muitos seguidores regulares, mesmo muitos. E as reacções são muito boas. Na hora de ponta ter mais de 300 pessoas a dançar, a reagir a cada uma das músicas que se vão sucedendo é algo que me faz sentir realizado e orgulhoso.
Já tocaste outros géneros musicais, como house por exemplo. Sentes que a relação com o funk é fruto também da idade? Sentes-te um dj mais "vintage" nos dias que correm?
Acho que a idade tem uma influência grande nos nossos gostos e nas nossas paixões, mas é curioso que parte do público do Club de Funk, embora não seja teenager também não é uma carcaça como eu!
Já internacionalizaste o clube de funk? Ou há planos para tocar fora de Portugal?
Sinceramente não acho que isso faça sentido. Perfiro conseguir ir lá fora para dançar. Ao Soul Sides, ao Club Function e à Oslo Soul Experience na Escandinávia, ao Hip City em Berlim, ao Deep Funk e à Soul Revolution em Londres, ao Motherfunk e ao Soul Spectrum em Edimburgo ou ao Powder Rooms em Barcelona, por exemplo.
Noutros países, as noites de funk acabam sempre por ter aceitação junto de algum público mais sintonizado com um lado indie do hip hop. Cá é assim também?
Sempre tive algum público ligado ao Hip Hop no Club de Funk, embora seja uma minoria e, normalmente, mais velho do que os miudos que consomem Hip Hop hoje em dia; tipo o Serial, o Presto, o Maze e companhia, o pessoal que fez do Infamous Vibes no Comixx, nos anos 90, uma das mais miticas festas de Hip Hop de que há memória entre nós... já estão quase todos nos trinta! São também esses que consomem o Hip Hop mais alternativo que se vai editando, é verdade.
Projectos para o futuro deste clube?
Continuar a dar a conhecer a música negra que vai sendo descoberta e conseguir que aos poucos as pessoas sintam tanta vontade de dançar com Soul como a que já sentem com Funk.
E edições Clube de Funk? Algum dia pensaste nisso?
Já pensei muitas vezes nisso. Começar a editar um sete polegadas ou outro. Mas não tenho muito tempo disponivel e encontar os detentores dos direitos de muita desta música e conseguir as suas licensas é um trabalho a tempo inteiro. Quem sabe um dia... Ás tantas uma banda de funk nacional...

LISTAS CLUBE DE FUNK

Top 10 de nomes básicos para quem está a pensar entrar neste universo
James Brown e Associados
The Meters
Eddie Bo e Associados
The Gaturs
Rufus Thomas
Clarence Reid / Willie Clarke e Associados
Dyke and the Blazers
Alvin Cash
Spanky Wilson
Bobby Williams

Top 10 de músicas que mais rodam no clube de funk
Chuck Womack & the Sweet Souls - Ham Hocks and beans pt.1
Bobby Byrd - I know you got soul
Spanky Wilson - Kissing my love
Ernie and the Top Notes, Inc. - Dap walk
Rickey Calloway - Tell me
Billy Garner - Brand new girl
Big Ella - The queen
Barbara and Gwen - Right on (to the street called love)
Marva Whitney - What do I have to do to prove my love to you
Jackson Sisters - I believe in miracles

10 Holy grails
The Highlighters Band - The funky 16 corners pt.1
Paul Jackson - Quack Quack Quack
Latin Breed - I turn you on
Reginald Milton and the Soul Jets - Clap your hands
Charles Shefield - It's your voodoo working
Herman Hitson - Ain't no other way
Angela Davis and the Mighty Chevelles - My love (is so strong)
Honey and the Bees - Love addict
Ellipsis - People
Harvey and the Phenomenals - Soul and sunshine

10 nomes de nu-funk
Sharon Jones and the Dap Kings
El Michels Affair
Kings Go Forth
Breakestra / Orgone
Poets of Rhythm / Whitfield Brothers
The New Mastersounds
Speedometer
The Sound Stylistics
Nicole Willis and the Soul Investigators
The Bamboos

Top 5 de editoras de nu-funk
Daptone
Truth and Soul
Timmion
Record Kicks
Unique

segunda-feira, 23 de março de 2009

Tributo a Eddie Bo



Mix de homenagem ao grande Eddie Bo da autoria de Second Line Social.

Eddie Bo - From This Day On (Seven-B)
Roy Ward - Horse with a Freeze (Seven-B)
Art Neville - Hook, Line & Sinker (Instant)
Eddie Bo - S.G.B. (Seven-B)
Roger & The Gypsies - Pass The Hatchet (Seven-B)
Candy Phillips - Timber (Atlantic)
Eddie Bo - Falling In Love Again (Seven-B)
Eddie Bo - Shake, Rattle & Soul (Cinderella)
Eddie Bo - Hook & Sling (Scram)
James K. Nine - Live It Up (Federal)
Eddie Bo - Check Your Bucket (Bo-Sound)
Sonny Jones - Sissy Walk (Scram)
Eddie Bo & Inez Cheatham - Lover & A Friend (Seven-B)
Chuck Carbo - Can I Be Your Squeeze (Canyon)
The Vibrettes - Humpty Dump (Lujon)
Eddie Bo - We're Doing It (The Thang) pt. 2 (Bo-Sound)
Mary Jane Hooper - I've Got Reasons (Power)
Chris Kenner - Cinderella (Instant)
Eddie Bo - Fence of Love (Seven-B)
Barbara George - Something You Got (Seven-B)
Eddie Bo - Every Dog Got His Day (RIC)
Oliver Morgan - The La La Man (Seven-B)
Eddie Bo - Check Mr. Popeye (Swan)
Oliver Morgan - Roll Call (Seven-B)
Bobby Williams Group - Boogaloo Mardi Gras (Seven-B)
Betty Taylor - I'm Going Home (Nola)

From This Day On... A Tribute Mix to Eddie Bo: New Orleans Legend

sábado, 21 de março de 2009

Rip it up # 3: The J.B.'s International - Nature (Pt. 1)/Nature (Pt. 2)

Na década de 70, James Brown não conquistou o título de "hardest working man on showbusiness" por dá cá aquela palha: para contornar contratos ou simplesmente para canalizar toda a sua energia, Brown desmultiplicou-se em variadíssimos projectos e a dado ponto era até impossível distinguir os discos que assinava na capa daqueles que "simplesmente" produzia. E o seu "gang", os J.B.'s, assumiu-se como grupo em permanente mutação para poder responder às exigências do líder. Banda construída em torno de notáveis como Bootsy Collins, "Catfish" Phelps, Bobby Byrd, "Jabo" Starks ou da fantástica secção de metais formada por Maceo Parker, Fred Wesley e Pee Wee Ellis, os J.B.'s assumiram muitos nomes - Fred Wesley & The J.B.'s, Maceo and the Macks, Fred and the New JB's, The James Brown Soul Train, The Last Word, The First Family e, claro, os J.B.'s International que hoje aqui trazemos.
Com data de 1977 e selo da Brownstone, label criada pelo próprio James Brown e por Henry Stone da fabulosa T.K. Records, este single é mais uma poderosa amostra daquele groove que só esta máquina parecia saber produzir: mais tight do que os collants do Robim dos Bosques, mais sinuoso do que uma estrada de montanha, mais infeccioso do que uma doença venérea. Bom download!

The J.B.'s International - Nature (pt. 1)

The J.B.'s International - Nature (pt. 2)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Chart 1: Lab Funk 9 + 1

Ok, primeira edição de posts com charts temáticas que conto ir elaborando a partir das novidades que vou adquirindo. Esta já tem um par de meses, foi criada a convite da Flur e procurava ilustrar a minha paixão por um determinado tipo de funk mais progressivo que nos últimos anos tem vindo a despontar lentamente. A propósito deixo por aqui também texto sobre o assunto escrito para a Op. (novo número em breve por aí...). Mas para já, então, Lab Funk 9 + 1.

LAB FUNK 9 + 1

mrr-adm – 012 (no label)
karl hector & the malcouns – transition >j< (now again)
dam funk – burgundy city (stones throw)
poets of rhythm – discern/define (quannum)
the natural yughurt band – voodoo (jazzman)
the budos band – up from the south (daptone)
whitefield brothers
– yakuba (field)
the heliocentrics – distant star (now again)
polyversal souls – sad nile (fryers)
+
mhe – 007 (sound in color)




Free funk

Quando Ornette Coleman se apresentou em quarteto no Five Spot Café de Nova Iorque no Outono de 1959 o público não podia imaginar o que o esperava. A aparente loucura expressa no mar de ruído produzido por quatro solos em simultâneo, sem estrutura ou ordem convencional que pudesse ser reconhecida, tinha também uma espessura política – o desejo de liberdade não existia apenas em relação às progressões harmónicas ou às bases rítmicas comuns no hard bop, mas em relação à própria vida – Fred Gioia, a propósito de 50 anos de free jazz, escreveu que “parte do fascínio exercido por esta música passava pelo seu estatuto marginal, pela sua exclusão das estruturas de poder da sociedade a que era suposto opor-se.” Ora, tendo em conta o “peso” histórico da palavra “free” fará então sentido usá-la em relação a outros géneros musicais? Free folk ou free rock são duas hipóteses avançadas em tempos recentes. Em ambos os casos, a palavra “free” parece traduzir uma vontade de ruptura, embora nem sempre estritamente musical: a “bagagem” (ética, política, filosófica ou até emocional...) que os géneros vão coleccionando torna-se por vezes incómoda para quem apenas pretende exprimir-se sem ter que estar permanentemente a consultar um “livro de estilo”.
O funk é um género onde a bagagem referida no parágrafo anterior é absolutamente crucial, sobretudo a emocional. A grande invenção de James Brown capitalizou desde o início na carga sexual manifestada na repetição, na força e no suor debitado pelos seus protagonistas – se a soul era espírito, o funk era corpo. Esta música possuiu sempre esse lado mais ritualístico e encenado, como uma manifestação pura de identidade – negra e bastante física, pois claro: “say it loud, i’m black and i’m proud”, “like a sex machine”... É por aí que (também) se deve entender o recurso à palavra funk por estetas como Juan Atkins ou Derrick May: mesmo na música que não vivia de um pulsar colectivo e que deslocava a disciplina da repetição para os circuitos integrados de máquinas com nomes de ficção científica (Drumulator, TR 808?...) era possível detectar sem grandes problemas o volume da tal bagagem. A manifestação de identidade e a encenação de novos rituais colectivos perante uma ideia particular de comunidade continuavam a ser coordenadas importantes. O funk mantinha a sua importância, como som, mas também como ideia.
A pergunta impõe-se, então: o que acontece quando se ignora a tal bagagem e se toma o funk como matéria de laboratório, rompendo com o “livro de estilo” seguido por todas as bandas – dos Dap Kings de Sharon Jones e Amy Winehouse aos Soul Investigators de Nicole Willis – que ajudaram a recolocar o funk na ordem do dia? “Untitled”, de MRR-ADM, um dez polegadas que conta com a colaboração de Malcolm Catto e onde todas as regras são quebradas pode muito bem ser a resposta para essa questão. Free funk (e psychedelic...) é o classificativo avançado no site discogs.com.
Pode parecer muito esotérico, mas MRR-ADM (o nome é a primeira regra quebrada – comparem-no a “Dap Kings” ou “Soul Investigators”...) é, na verdade, o conjunto de iniciais de Mike Raymond Russell e Adam Douglas Manella, até muito recentemente conhecidos como MHE. Esta dupla possui uma curiosíssima discografia espalhada essencialmente por compilações e alguns sete polegadas da Sound In Color, editora responsável por “Space shift”, a estreia a solo de Steve Spacek. Os títulos das suas produções são uma simples sequência numérica (segunda regra quebrada: onde estão palavras como “groove”, “grease”, “shuffle”, “skank” ou outros pedaços de calão que funcionam como sinónimos de ritmo?) e “Untitled” inclui novas peças entre “009” e “012” além de uma faixa bónus de Catto, só de bateria, a célula primal do funk. Elvin Jones, um dos arquitectos da bateria no free jazz, explicou a Valerie Wilmer que o papel do baterista é manter o tempo: “quer aches que o estás a fazer ou não, de uma forma ou de outra o baterista mantém sempre o tempo, quer consciente ou subconscientemente – ou inconscientemente – o baterista está a manter o tempo ou um tempo implícito. E isto independentemente do quão abstracto que possa parecer.” Até a revolução tem um ritmo.
Malcolm Catto há muito que mostra esta tendência para a abstracção: basta ouvir “Popcorn bubble fish” (2001) ou o posterior “Bubblefish breaks” (2002) editados na Mo’Wax para entender que a bateria sempre foi o interface de Catto com o espaço sideral. Antes dessas edições no selo de James Lavelle, Catto já havia marcado presença na cena nu-funk com os Soul Destroyers, gente do clássico e poderoso “Blow your top” (2000). Mais recentemente, Malcolm participou no colectivo de Connie Price, os Keystones (que editaram na Stones Throw), surgiu em palco com DJ Shadow (“Live! In tune and on time”) e posteriormente integrou os Heliocentrics que antes de editarem o seu incrível álbum de estreia (“Out there”, na Stones Throw, foi um dos melhores discos de 2007) serviram de mão de obra para “This time”, tema mais luminoso de “The outsider”.
Juntos, MRR-ADM e Catto protagonizam um dos mais sérios passos da nova geração funk em direcção ao futuro. Depois de retirada ao funk toda a carga cultural e histórica, resta a fundação: o tempo, no sentido musical do termo, a tal ideia de ritmo de que Elvin Jones falava. Nada mais parece importar e daí a completa ausência de informação na capa (a remeter para o anónimo território dos Library records e a quebrar com mais uma regra de ouro no mundo do funk onde uma forte identidade gráfica sempre foi requisito obrigatório) e o total despojamento do interior – não há títulos de temas (a numeração referida circula na net), informação de editora, logos, nada. Só três palavras surgem sobre o plástico que protege a capa: “Featuring”, “Malcolm” e “Catto”. Só a bateria importa. A bateria e farrapos de electrónica primitiva, o fuzz de guitarras em gestão mínima de recursos, o “reverb” limpo e clínico, como se tudo isto tivesse sido gravado num laboratório e não num daqueles estúdios onde as paredes já chegam para contar uma história.
“Untitled” é funk livre porque não exibe nenhuma intenção, não tem um programa, uma mensagem ou outro propósito aparente que não seja o descarnar da sua própria essência. E nesse sentido é uma pequena obra-prima, um gesto de corte radical e um rasgo de futuro. Tudo isto, em edição limitada de mil exemplares. Aqui: www.dirtydrums.com.

domingo, 1 de março de 2009

Rip it up # 2: Black Heat - The Jungle pt 1/The jungle pt 2

Em 1972, a música negra expressava orgulho nas origens africanas e "selva" passou a ser código para uma série de ideias - cidade, pressão, raíz. Sob certos aspectos este «In The Jungle» dos Black Heat é precursor dos muitos "it's like a jungle sometimes" que anos mais tarde o hip hop haveria de utilizar para descrever as "inner cities". Na prática, são cerca de 5 minutos de concentrado groove que integra as lições de James Brown num espírito ultra-militante. Na sala de ensaios dos Black Heat existia, de certeza, pelo menos um poster de Huey P. Newton.
O álbum de 1972 dos Black Heat foi uma das primeiras entradas na minha colecção de funk, no início dos anos 90, mas o single foi uma aquisição mais tardia. E este é um daqueles pedaços de groove que importa ter neste concentrado formato. Por isso, e sem mais delongas, aqui vai:

Black Heat - In The Jungle (pt 1)

Black Heat - In The Jungle (pt 2)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Rip it up # 1: Young Holt Unlimited - Wah Wah Man/Luv-Bugg

Por coincidência (ou talvez não...), o primeiro single em que peguei para inaugurar esta nova série aqui no 1/4 the treble, 2/4 the bass foi Break da Semana TM no Hit da Breakz (em 2005, já lá vai muito tempo), mas isso não impede que volte a este single agora que se estreia o Rip it Up. E em que consiste esta rubrica? Muito simples: rips de vinil da minha colecção. Ao contrário do Break da Semana, onde só se mostravam os breaks, aqui hão-de surgir as faixas completas, independentemente de terem ou não breaks, em formato wav não vá alguém querer samplar um pedaço ou passar o tema num clube. Para não falhar, não irei impôr nenhum tipo de regularidade: o Rip it Up aparecerá quando for possível, quando tiver tempo e, espero, tanto terá singles como maxis ou álbuns (e, quem sabe, algumas cassetes). Para já, então, eis a primeira escolha, um single da dupla Young Holt Unlimited de 1971. E uma vez que o trabalho já está feito, eis o que escrevi em 2005, no HdB:

Wah Wah Man aparecia originalmente no álbum de 71 Born Again em que Redd Holt e Eldee Young (baterista e baixista, respectivamente, com um longo currículo onde se inclui, nomeadamente, a ocupação de dois terços do lendário Ramsey Lewis Trio) efectuavam uma das suas classy journeys pelo território do jazz e do funk.

O break em si é pura classe, claro. Com Young a obrigar as peles da tarola e do bombo a sincoparem um irresistível ritmo que tem funk escrito por todos os lados. Alguns de vocês poderão já conhecer o break de um dos discos que o samplou, uma vez que tanto os Ugly Duckling como Lord Finesse, Show & AG e Akinyele já o usaram.


Luv-Bugg, no lado inverso, é mellowness da mais pura, com os Young Holt Unlimited a deixarem claro que são capazes de fornecer a banda sonora tanto para o clube como para o quarto.

Young Hold Unlimited - Wah Wah Man
Young Holt Unlimited - Luv-Bugg