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domingo, 27 de setembro de 2009

Mulatu no Africa.Cont







Mulatu Astatke assinou juntamente com os Heliocentrics um belíssimo concerto no espaço das Tercenas do Marquês que se revelou pleno de potencial. Parabéns ao Africa.Cont, portanto. O evento contou ainda com as prestações do Kora jazz Trio e dos Ferro Gaita, mas confesso que o que me importava mais no dia de ontem era mesmo a prestação dos Heliocentrics e de Mulatu e essa foi carregada de emoções. Free funk mais ethio jazz sem compromissos, com um teclista inundado de ácido, um violoncelista interessado em figurações mais abstractas e um bateria estreante (Malcolm Catto não dirigiu, como de habitual, os seus Heliocentrics) que segurou as deambulações do ensemble com mão precisa, mas subtil. Dois sopros - um saxofonista e um polivalente que se dividiu entre o trompete, o fliscorne e um pífaro ultra-processado -, um percussionista também flautista que comunicava com a audiência em português do Brasil, um guitarrista e um baixista compunham os Heliocentrics que sustentaram os contidos gestos de Mulatu em percussões, Rhodes e vibrafone. As melodias do ethio jazz criado por Mulatu na Nova Iorque dos anos 60 serviram de ponto de partida para explorações mais ou menos cósmicas, certamente livres de qualquer tentação de facilitismo que se pudesse pensar que os assaltaria no primeiro contacto com uma nova audiência.
Depois do concerto, Mulatu concedeu-me uma entrevista que hei-de por aqui reproduzir dentro de algum tempo. Falou com entusiasmo, entre outras coisas, da próxima edição que a Strut lhe reserva e cuja informação citamos do site, aqui em baixo.

Vibraphone and keyboard player, master arranger and bandleader, Mulatu Astatke is one of the all-time greats of Ethiopian music and the creator of his own original music form, Ethio jazz. Through the acclaimed Ethiopiques album series and through featuring on the soundtrack to the Jim Jarmusch film Broken Flowers, his music has belatedly reached a global audience and a new, younger generation of fans. In November of last year, he recorded an inspired new album with London psych jazz band The Heliocentrics for Strut’s ‘Inspiration Information’ studio collaboration series. Now, Strut are proud to present, for the first time anywhere, the definitive Mulatu career retrospective covering his landmark ‘60s and ‘70s recordings.

Mulatu is a true pioneer of African music. He was the first Ethiopian musician of his generation to travel extensively and to record abroad – he studied in the UK in Wales and at Trinity College Of Music in London, cutting his teeth on the buoyant London jazz scene of the early ‘60s. He became the first African student to attend Harvard and he lived and recorded in New York, developing a unique sound that fused Western jazz with traditional Ethiopian melodies. As Mulatu says, “it took a long time to get the balance, to let the colours and the feelings of the Ethiopian modes shine through.” Returning to ‘Swinging Addis’ during the late ’60s, he became a pivotal figure, arranging for many of the country’s top vocalists and developing rich, dense textures in his own music during the final years of Selassie’s reign and the mid-‘70s rule of the Derg Communist military junta.

Tracing the progression of his Ethio jazz experiments with full access to all of the labels for whom he recorded, Mulatu Astatke: New York-Addis-London is the essential Mulatu. Covering his first recordings in the UK during 1965, his groundbreaking fusions for the small Worthy label in New York and his key ‘70s recordings back in Addis on Amha, Phillips and Axum, the album features comprehensive sleeve notes by Miles Cleret, boss of the excellent Soundway Records imprint, and rare, previously unseen photos from Mulatu’s personal archive.


Mil obrigados ao Rodrigo Madeira pelas belíssimas fotos que ilustram na perfeição a grande performance de Mulatu e dos Heliocentrics na noite de ontem.

sábado, 26 de setembro de 2009

Mulatu hoje em Lisboa

Kora Jazz Trio, Mulatu Astatke com os Heliocentrics e os Ferro Gaita são os enormes pretextos para que todos hoje rumem à Rua das Janelas Verdes, em Lisboa. O evento é gratuito e a música imperdível. Uma combinação que geralmente produz enchentes. Esperemos que essa regra se cumpra também hoje. Até logo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Mulatu & The Heliocentrics em Lisboa


Mulatu & The Heliocentrics ao vivo em Lisboa! É já no próximo dia 26, no âmbito de uma iniciativa mais vasta de que vos dá conta o cartaz mais abaixo. A entrada é livre, mas ao que parece a lotação é limitada. E este é um acontecimento imperdível.
Mulatu e os Heliocentrics editaram um álbum na Strut há não muito tempo e o África Eléctrica deu conta de tal edição (que podem conferir aqui), mas este espectáculo é imperdível por outras e mais significativas razões: o senhor Mulatu Astatke é uma lenda viva, um gigante que criou o "ethio-jazz" e que nas décadas de 60 e 70 lançou registos visionários que, felizmente, não se perderam no tempo. Discos como «Mulatu of Ethiopia» ou «Ethio Jazz» ou até o 10 polegadas que a Soundway editou em 2005 são convenientes provas reimpressas em vinil da visão singular deste homem que tive o prazer de conhecer em Toronto há uns anos e de voltar a reencontrar já este ano em Lisboa, em ambas as ocasiões no âmbito de iniciativas da Red Bull Music Academy. Os Heliocentrics, que acompanham Mulatu no álbum registado para a Strut e agora nos palcos, são uma das mais interessantes e intrigantes propostas musicais dos últimos anos. A discografia é imaculada: depósito sólido de ideias para o futuro do funk, agitado por músicos de excepção. A propósito do álbum «Out There», escrevi estas linhas na Op:

Heliocentrics
“Out there”
Stones Throw / Flur, 2007


“Out there” pode ser encarado como prova da idade adulta da nova cena funk. Malcom Catto - baterista que registou um estranho “Popcorn bubble fish” para a Mo’Wax, que se afirmou como dealer de peças raras de funk e fez dos Soul Destroyers um dos mais avançados colectivos do funk contemporâneo – lidera o ensemble que conta igualmente com uma ligação aos fantásticos Poets of Rhythm. Depois de se fazerem ouvir em “This time”, ponto alto do último álbum de DJ Shadow, os Heliocentrics criaram para a incansável Stones Throw um tratado de alargamento dos horizontes do funk, partindo do groove primal para chegarem a um lugar novo, onde as sensibilidades jazz são mais valia para investir em pura e libertária invenção rítmica.


Por tudo isto e por demais razões que se encontram no cartaz reproduzido abaixo, o dia 26 de Setembro só pode ser passado num sítio. Vemo-nos lá.