SOUL!
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Melhor programa de televisão de sempre?
SOUL!
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Ian Carr rip
Ian Carr was probably the greatest jazz trumpet player that the UK has produced. Certainly he was one of the great innovators in jazz and his award-winning band Nucleus captured the attention of a far wider audience than those usually commanded by more conventional jazz groups. Educated at the University of Newcastle Upon Tyne he took a degree in English and served in the Royal Northumberland Fusiliers during National Service where he rose to the rank of 2nd Lieutenant.
Ian Carr started out his professional jazz career in his home town of Newcastle in the 1950s playing in his brother Mike’s band, the EmCee 5 for which he underwent an audition to prove his worth (he passed it). By the early 1960s Carr had moved down to London from the North East of England and for a time played in bands led by flautist and saxophonist Harold McNair. He then joined established reedsman Don Rendell to form the Rendell Carr Quintet which recorded five albums for EMI’s Columbia label under the supervision of the British Svengali of jazz, Denis Preston for his renowned 'Lansdowne' jazz series of recordings. During this period Carr also performed and recorded with the New Jazz Orchestra whose members included the likes of Neil Ardley, Jon Hiseman and Barbara Thompson with whom he had subsequent associations in different musical projects. He also recorded albums under the aegis of Michael Garrick, Joe Harriott, Amancio d’Silva, Stan Tracey and Guy Warren of Ghana to name but a few.
Although the Rendell Carr Quintet was musically successful, as reflected in the Melody Maker jazz polls of the period, where the RCQ regularly won the small group category, Carr was beginning to yearn for greater, more adventurous careers pathways. Following an ambitious set of compositions for the notable album ‘Greek Variations’ (with other tracks composed by Don Rendell and Neil Ardley), Carr formed his own band Nucleus along with Karl Jenkins (keyboard, reeds) and John Marshall (drums) both former alumni of Graham Collier’s band plus New Zealand saxophonist Brian Smith, Jeff Clyne on bass and Chris Spedding on guitar. Nucleus recorded nine albums for Polygram’s Vertigo label between 1970 and 1975 and later for other labels including the US Capitol label. The group won first prize at the Montreux Jazz Festival in 1970 and went on to play at the Newport Jazz Festival where they wowed audiences.
The original personnel of Nucleus changed after the first three albums, and many well-known jazz and rock names variously supplemented its ranks including Jack Bruce, Allan Holdsworth, Ray Russell, Alan Skidmore, Bryan Spring and Tony Levin. Carr was always the leader and main inspiration of Nucleus and often its chief composer, as with two Arts Council bursary-funded albums ‘Solar Plexus’ and ‘Labyrinth’. Carr recruited guest stars of international reputation for these projects including Kenny Wheeler, Harry Beckett, Gordon Beck, Norma Winstone and Tony Coe. Nucleus also played a major role both in the recording and live performances of ‘A Kaleidoscope of Rainbows’ by Carr’s great friend, Neil Ardley.
By the late 1970s and with the dissolution of Nucleus, Carr, along with erstwhile New Jazz Orchestra colleagues Barbara Thompson and Jon Hiseman, became founder members of the superb United Jazz and Rock Ensemble which recorded a dozen albums including ‘Live in Schutzenhaus’. the biggest selling jazz album produced in Germany.
Carr also had a successful writing career and following his book on British jazz ‘Music Outside’ (Latimer, 1973 and republished in 2008) he went on to write the definitive biography of his hero, Miles Davis and later a biography of Keith Jarrett. He was also musical consultant for two films about these two musicians, made by the director Mike Dibb. Carr also co-edited the Rough Guide to Jazz with Digby Fairweather and Brian Priestley.
Ian Carr was also a broadcaster and amongst other projects he narrated a six-part series for BBC Radio 3's 'Jazz File' on the life of Miles Davis, broadcast to celebrate the 80th anniversary of Miles' birth in 2006. He was also an inspiring teacher and Associate Professor of Jazz at the Guildhall School of Music and Drama. He also taught at the Weekend Arts College for groups of young jazz musicians in North London and many of today’s jazz stars, such as pianist Julian Joseph and vocalist Cleveland Watkiss (both of whom performed at a tribute concert for Carr held at the Guildhall School of Music in November 2006) were inspired by him for his boundless enthusiasm and encouragement. He continued playing until the beginning of the twenty first century, with revived versions of Nucleus, a duet album with John Taylor (‘Songs and Sweet Airs’) and yet another project with Neil Ardley, Zyklus. He also guested with the orchestras of George Russell and Mike Gibbs.
Personally, Carr had his share of troubles with the death of his first wife Margaret in childbirth in 1967. He developed bowel cancer in the mid-1970s but following surgery, he managed a swift recovery from this illness. He also suffered from bouts of depression and one of his later albums was entitled ‘Out of the Long Dark’ reflecting his emergence from this condition. In the early 2000s he had a succession of mini strokes but continued to work and play, however, he was later afflicted by Alzheimer’s Disease. He spent his last years in specialist care homes.
Wider public recognition came late for Ian Carr receiving 'Services to Jazz' presentations from both the BBC Jazz Awards and the Parliamentary Jazz Awards coincidentally in the same year (2006). Despite all his troubles, Carr remained an irrepressibly cheerful and enthusiastic person and was a true inspiration to countless friends, colleagues and fans alike.
Dusk Fire
O arquivo da Motown
A propósito, deixo aqui um excerto do trabalho que assinei na Blitz sobre os 50 anos da Motown.
Motown: O Som da Jovem América
Antes dos Beatles chegarem, o ritmo da pop era ditado pela Motown, uma editora que serviu de banda sonora à evolução da América.
Motown não mudou o mundo, mas forneceu-lhe a banda-sonora para algumas das grandes transformações testemunhadas pela história.
De certa maneira, pode até afirmar-se que os 50 anos que esta editora agora comemora são a medida certa da transformação da América - do nascimento dos movimentos de protesto liderados por gente como Martin Luther King Jr na segunda metade dos anos 50 até à tomada de posse do primeiro presidente negro no arranque de 2009.
Meio século carregado de mudanças que viu a pop transformar-se num fenómeno global. É até possível ir mais longe e dizer que a pop é, por excelência, a linguagem universal. E se a pop é o universo, a Motown estava lá, seguramente, quando se deu o "big bang".
Quando Rosa Parks fez soar o seu histórico "não" ao condutor do autocarro de Montgomery, no Alabama, em 1955, Berry Gordy Jr tinha regressado há pouco tempo da guerra na Coreia e tentava a sorte como lutador de boxe na esperança de enriquecer rapidamente. A família Gordy, como tantas outras, tinha imigrado para Detroit para escapar ao Sul que Rosa Parks sonhava transformar.
A explosão da indústria automóvel nos anos que se seguiram à II Guerra Mundial oferecia uma perspectiva de futuro e, por isso mesmo, o êxodo do Sul conservador e rural para o norte liberal e industrial era imparável. Berry Gordy experimentou o rigor das fábricas automóveis da "motor town" - e ter-se-á até inspirado nelas mais tarde... - testou a sua sorte no ringue e foi chamado pelo Tio Sam antes de ter conhecido o cantor Jackie Wilson num bar que era propriedade de Al Green, o Flame Show. O sonho americano, para Gordy, começou aí. O calendário marcava 1957 e Dr. King organizava a luta através da Southern Christian Leadership Conference.
A invenção do sucesso
Em colaboração com a sua irmã Gwen, Berry escreveu "Reet Petite" para Jackie Wilson, que se tornou um sucesso regional em 1957. A revolução rock and roll estava em marcha impondo uma mesma batida a jovens brancos e negros de toda a América. Gordy percebeu muito depressa que esse era o caminho.
"Lonely Teardrops" foi outro dos temas que Gordy escreveu para Jackie Wilson e o seu primeiro real sucesso: chegou ao topo das tabelas r&b e instalou-se confortavelmente no Top 10 da tabela pop. A etapa seguinte, para Gordy, seria a autonomia.
Numa época em que a indústria da música vivia ainda sobretudo de êxitos regionais e pequenas operações cuja ambição morria quase sempre à porta dos estúdios, Berry ousou sonhar mais alto, pensando uma estrutura em que artistas, músicos, compositores, produtores, vendedores e promotores trabalhavam todos em harmonia e com um objectivo comum - fabricar êxitos.
Esse sonho tornou-se realidade em 1959, impulsionado por um empréstimo familiar de 800 dólares - primeiro nasceu a Tamla, em Janeiro de 1959, e depois a Motown Records, em Dezembro do mesmo ano. Pelo meio, o caminho foi sendo pavimentado pelos galardões alcançados graças ao impacto de canções como "Come to Me" (Marv Johnson) ou o explícito "Money (That's What I Want)", escrito por Berry Gordy para Barrett Strong e alvo de uma histórica versão dos Beatles em 1963.
Nada mais natural para Gordy do que fazer uma canção onde manifestava os seus mais profundos desejos. A julgar pelo sucesso obtido logo com os primeiros singles, Berry estava plenamente concentrado nos seus objectivos.
(podem ler este excerto aqui)
Vídeo do arquivo de fitas da Motown
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Motown
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Sharon Jones Vs Shuggie Otis
Entretanto, já é público que a Daptone sofreu um sério revés ao ser assaltada há um par de semanas. Os prejuízos foram de tal ordem que comprometem a actividade desta fabulosa editora e por isso foi criado um site para angariar doações. Eu já contribuí com 5 dólares. Se puderem, façam o mesmo aqui!
Sharon Jones & The Dap Kings - Inspiration Information
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Daptone,
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The Dap Kings
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Blitz # 33 nas bancas na próxima 6ª
Neste número assino artigos sobre João Aguardela, Tiago Guillul, Robert Wyatt e TV On The Radio, entre outros nomes. Há muito mais, como podem ver pela foto da capa, onde se mencionam - além dos U2, claro - Bon Iver, Neil Young, Boss Ac ou Bruce Springsteen: boas razões para acrescentar mais este número à colecção Blitz. Há mais, como é óbvio: muitas páginas recheadas de críticas de discos, o jornal Optimus e muitas notícias e artigos que certamente vos encherão o mês de Março com muita música. Boa leitura!
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Blitz
África Eléctrica # 20
Ficheiros de 320 kbps disponíveis abaixo:
África Eléctrica # 20 - 1ª hora
África Eléctrica # 20 - 2ª hora
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Fela Kuti
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Caixa de correio # 2: Heavenly Sweetness
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Doug Carn,
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John Betsch Society,
Strata East
Álbuns imaginários
1 - Go to Wikipedia. Hit “random”
or click http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random
The first random Wikipedia article you get is the name of your band.
2 - Go to Quotations Page and select "random quotations"
or click http://www.quotationspage.com/random.php3
The last four or five words of the very last quote on the page is the title of your first album.
3 - Go to Flickr and click on “explore the last seven days”
or click http://www.flickr.com/explore/interesting/7days
Third picture, no matter what it is, will be your album cover.
4 - Use Photoshop or similar to put it all together.
Ficam aqui algumas amostras.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Oriki Music - lança em África
Tal como na América a afirmação do orgulho negro através do ritmo de James Brown tinha tudo a ver com as conquistas do Movimento dos Direitos Civis, também em África os fluxos independentistas vieram abrir caminho para que a celebração se alargasse das ruas aos clubes nocturnos. Nos últimos tempos, a atenção concentrada sobre a África ocidental por parte de editoras como a Soundway, Analog Africa, Strut, Vampi Soul e também a Oriki tem permitido que uma outra imagem musical desse continente possa ganhar forma para lá daquela sancionada pelo rótulo “world music”. Álbuns com Moussa Doumbia (saxofonista do Mali com carreira centrada na Costa do Marfim), Djelimady Tounkara (líder da Rail Band do Mali nos finais dos anos 70, na era pós Salif Keita e Mory Kanté), Kante Manfila e Sorry Bamba (dupla Guiné/Mali), Amadou Balake (representante do pulsar latino na cena musical do Burkina Faso) e Orchestra Baobab (os senegaleses que têm, provavelmente, o nome mais sonante do catálogo) deixaram claro o posicionamento desta editora, interessado em explorar o lado mais ritmado do legado africano das décadas de 60 e 70.
«A Oriki», explica, em português, Greg Villanova (há um ascendente brasileiro na sua família), «surgiu em 2006, porque essa era a única maneira de partilhar essa musica com o máximo de pessoas, de prestigiar artistas pouco ou totalmente desconhecidos no ocidente, de valorizar a modernidade e a mestiçagem/mistura musical africanas existentes já na década de 70 e dialogar com o que se faz hoje. Graças ao sucesso do afrobeat é hoje possível alargar atenção para músicas africanas "groovy" sem que estas sejam estritamente influenciadas pelo groove funk».
«A morte de Fela,» explica Greg, «abriu as portas para o renovado interesse na África urbana. O selo pioneiro Comet Records de Paris com suas coletâneas "Racubah" "Ouelele" abriu as portas no fim dos anos noventa, seguido por outros selos que lançaram colectâneas como "Afro Rock". Ao mesmo tempo, alguns djs e coleccionadores começaram a interessar-se por discos africanos e o movimento foi-se desenvolvendo modestamente a nível mundial em torno de noites de clubes com música retro.»
Apesar do esforço notório da Oriki, só o álbum da Orchestra Baobab é que tem gerado números de vendas interessantes, facto compreensível por se tratar de um nome sonante, situando-se todos os outros títulos abaixo da linha de água. O impulso mais importante, mais do que a viabilidade comercial, continua a ser a revelação de um passado vibrante. A música incluída nestes discos, justifica toda a nossa atenção.
(texto publicado originalmente na revista Parq)
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
Jazz Bridges # 12: Spiritual Jazz
A editora Jazzman reuniu raridades em “Spiritual Jazz” e aponta os holofotes a um momento subterrâneo da era pós-Coltrane que tanta inspiração tem surtido sobre novas escolas musicais.
Apesar do nome, “herdado” de uma alcunha do seu dono, a editora britânica Jazzman tem-se notabilizado sobretudo como importante depósito da memória soul e funk, tendo editado importantes compêndios de abordagem geográfica ao fenómeno despoletado por James Brown, casos das compilações dedicadas à produção das Carolinas do Sul e do Norte, da Florida, do Midwest e do Texas. Agora, um dos mais recentes lançamentos da Jazzman concentra o olhar sobre o lado mais obscuro do jazz “espiritual”, corrente identificada no período que se seguiu ao “acordar” espiritual de John Coltrane, quando a sua dependência de drogas foi substituída pela manifestação de uma fé interior pan-religiosa que marcaria gravações míticas como “A Love Supreme”.
Esse “spiritual awakening” foi entendido por uma geração de músicos de muitas formas e manifestou-se em exercícios mais “free”, de puro modalismo ou de cruzamentos com outras tipologias mais populares, como aconteceu no chamado Soul Jazz. Num momento em que a própria história da sociedade negra americana era tocada pelos espíritos livres de gente como Martin Luther King ou Malcolm X, a música soube olhar para lá das margens do bop e alargar as suas fronteiras para encontrar o impulso libertário resultante da implosão de convenções estruturais (Sun Ra a reinventar a big band), para olhar para os avanços nos domínios mais populares da música (Miles a ouvir Sly Stone), para partir à descoberta de raízes culturais calcinadas pelo tempo (Coltrane, Pharoah Sanders e tantos outros a olharem para África) ou simplesmente para expandir horizontes religiosos, culturais e musicais (Alice Coltrane, Yusef Lateef ou John Mayer e Joe Harriott a descobrirem a Índia).
Jazzman Gerald, o compilador de “Spiritual Jazz”, faz parte de um alargado movimento internacional responsável pelas “escavações arqueológicas” que permitiram não apenas redescobrir a América que existia na sombra de James Brown, mas também a África extra-Fela Kuti (a atenção dada pela Soundway à Nigéria nos últimos meses tem rendido incríveis volumes de afrobeat, highlife e afro-rock), o complexo universo latino (atenção ao catálogo da Vampi Soul), o intenso espírito jamaicano (a Soul Jazz é aqui incontornável) ou a música inventada em estúdio para animar cinema e televisão (o catálogo da Trunk é precioso nesse ponto). O passado desenterrado por todos estes compiladores ressurge após dedicadas pesquisas em arquivos e colecções, atribuladas viagens até continentes exóticos e incontáveis horas de pesquisa em armazéns perdidos no meio do nada onde os resultados de uma vontade expressiva do passado ficaram muitas vezes encerrados durante décadas.
A compilação “Spiritual Jazz” não pretende procurar pontos de contacto entre as sensibilidades enumeradas acima para desenhar as linhas de uma escola, mas antes revelar como a espiritualidade de uma época marcada pela Guerra do Vietname, de um lado, e pela luta pelos Direitos Civis, de outro, inspirou muitos músicos que nunca se conseguiram impor no mundo do jazz: ou porque as edições que criaram eram demasiado caseiras e amadoras, ou porque funcionavam à margem do próprio circuito industrial do jazz (no sentido do circuito de clubes e editoras estabelecidas). Nomes como Morris Wilson Beau Belle Quintet, Ndikho Xaba & The Natives, The Frank Derrick Total Experience, Hastings Street Jazz Experience, ou o Ohio Penitentiary 511 Jazz Ensemble não são dos mais familiares, mas produziram música intensamente vibrante aberta às possibilidades de todos os cruzamentos – com África, com as estruturas mais free ou com as escalas derivadas do pulsar latino. Em comum terão uma vontade de elevação acima do conturbado tempo que as viu surgir, um desejo de superação que tem implicações espirituais, claro, mas também políticas e sociais.
“Spiritual Jazz” surge acompanhada de detalhadas notas de capa, com reproduções das capas dos artefactos originais que continham esta música vibrante, a mesma que está na base de tantos exercícios contemporâneos: dos Jazzanova aos 4 Hero e Two Banks of Four passando por praticamente tudo o que Carlos Niño faz, sobretudo com o colectivo To Build an Ark, pela imensa obra de Madlib (o Yesterdays New Quintet e “tudo” o que em torno dele orbita) e pelas projecções astrais da Cinematic Orchestra de Jason Swinscoe, para dar apenas alguns dos mais óbvios exemplos.
(e retoma-se aqui a publicação da série de textos que tenho vindo a assinar na Jazz.Pt)
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Rip it up # 1: Young Holt Unlimited - Wah Wah Man/Luv-Bugg
Por coincidência (ou talvez não...), o primeiro single em que peguei para inaugurar esta nova série aqui no 1/4 the treble, 2/4 the bass foi Break da Semana TM no Hit da Breakz (em 2005, já lá vai muito tempo), mas isso não impede que volte a este single agora que se estreia o Rip it Up. E em que consiste esta rubrica? Muito simples: rips de vinil da minha colecção. Ao contrário do Break da Semana, onde só se mostravam os breaks, aqui hão-de surgir as faixas completas, independentemente de terem ou não breaks, em formato wav não vá alguém querer samplar um pedaço ou passar o tema num clube. Para não falhar, não irei impôr nenhum tipo de regularidade: o Rip it Up aparecerá quando for possível, quando tiver tempo e, espero, tanto terá singles como maxis ou álbuns (e, quem sabe, algumas cassetes). Para já, então, eis a primeira escolha, um single da dupla Young Holt Unlimited de 1971. E uma vez que o trabalho já está feito, eis o que escrevi em 2005, no HdB:Wah Wah Man aparecia originalmente no álbum de 71 Born Again em que Redd Holt e Eldee Young (baterista e baixista, respectivamente, com um longo currículo onde se inclui, nomeadamente, a ocupação de dois terços do lendário Ramsey Lewis Trio) efectuavam uma das suas classy journeys pelo território do jazz e do funk.
O break em si é pura classe, claro. Com Young a obrigar as peles da tarola e do bombo a sincoparem um irresistível ritmo que tem funk escrito por todos os lados. Alguns de vocês poderão já conhecer o break de um dos discos que o samplou, uma vez que tanto os Ugly Duckling como Lord Finesse, Show & AG e Akinyele já o usaram.
Luv-Bugg, no lado inverso, é mellowness da mais pura, com os Young Holt Unlimited a deixarem claro que são capazes de fornecer a banda sonora tanto para o clube como para o quarto.
Young Hold Unlimited - Wah Wah Man
Young Holt Unlimited - Luv-Bugg
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This Time de DJ Shadow para remisturar
O fan site Solesides está a promover um concurso de remisturas de This Time de Dj Shadow disponibilizando para isso o ficheiro com as vozes cujo link podem encontrar abaixo. Poderão encontrar mais informação aqui. Este é um dos melhores temas do álbum The Outsider e as vozes têm uma curiosa história. Quando o álbum saiu tive a oportunidade de entrevistar DJ Shadow que sobre o assunto referiu o seguinte:Qual é a história por trás da voz usada para o tema “This Time”?
Há um par de anos um estúdio na Califórnia fechou e um amigo meu ficou com uma série de bobines de fita desse estúdio, algumas das quais com 30 ou 40 anos. Ele fez-me alguns CDs a partir das fitas. Algumas tinham canções já terminadas outras só esboços, coisas que foram editadas e outras que nunca viram a luz do dia. Esta em particular era apenas uma maquete de um tipo que um dia entrou no estúdio vindo da rua e que cantou um par de temas, sem acompanhamento. A primeira, que é a que eu uso, tem apenas um minuto e meio e depois ele pára de cantar e começa a falar com o engenheiro de som a dizer que algo não lhe soa bem e que vai cantar outra coisa. Mas havia alguma coisa naquela letra e na forma que ele encontrou para cantar aquelas palavras que me atraiu imediatamente por isso mesmo passados para aí uns 9 meses de ter aqueles cds lá em casa liguei ao meu amigo e perguntei-lhe se ele se importava que eu usasse aquela voz para tentar fazer uma canção à sua volta. E foi o que eu fiz.
Tentaram contactar a pessoa que gravou?
Não, porque não havia nenhuma informação na caixa da fita. Só havia um nome escrito, “Joe”.
Então um dia destes ainda poderá receber uma visita de um tipo de uns 60 anos a dizer-lhe “olá eu sou o Joe.”Sim, é possível, mas não me parece que isso vá acontecer. A fita tem perto de 40 anos e pela voz eu diria que o Joe deveria ter uns 40 anos quando fez aquela gravação. Seria bastante velho agora.
As palavras que ele cantou funcionam como uma declaração, certo? O que é que está a dizer com “This Time”? Que se acabaram as pressões?
Por estranho que possa parecer, penso que o disco que eu fiz mais parecido com “The Outsider” foi “Endtroducing”. Quando eu fiz o meu primeiro álbum não tinha pressões de espécie alguma, não havia bloggers a falarem de mim, não havia sequer fãs porque ninguém me conhecia. E eu levei as coisas tão longe quanto quis e fiz o disco que queria fazer. Sinto que fiz exactamente a mesma coisa neste disco. Finalmente cheguei a um ponto em que não sinto pressões, deixei de me importar com o que as pessoas escrevem acerca de mim – tanto o que dizem de bom, como de mau. E fiz o disco que me apetecia fazer levando a música exactamente até ao ponto que queria levar.
Penso que o LP enquanto formato está ultrapassado por causa da forma como as pessoas hoje ouvem música. Compram-se canções no iTunes para o iPod, ouve-se rádio na Internet e mixtapes. Está tudo muito misturado. E eu tive uma visão: ter dez pessoas muito diferentes a gostarem todas de diferentes aspectos do disco e ao mesmo tempo fazê-las ouvir coisas que elas pensariam que não iriam gostar e levá-las a investigar outros tipos de música, levando-as a desviarem-se do seu caminho.
A relação das pessoas com os artistas passa a estar fragmentada a partir de agora?...
Não sei… Sempre que me pedem uma lista dos dez Cds que ando a ouvir mais tenho sempre dificuldades porque sinto que já não ouço álbuns. Ouço discos variados e apanho os temas que mais gosto e meto-os em compilações que eu próprio faço, que é exactamente o que muitas outras pessaos fazem. Sinto que posso dizer que gosto de um artista quando 4 ou 5 canções do seu reportório me agradam mesmo. Todos sabemos que durante muito tempo até os melhores artistas enchiam os álbuns com canções que só existiam para justificar o preço de um álbum inteiro. Isso agora acabou.
Quanto a mim, eu só quis fazer um disco em que cada uma das canções fosse uma pequena gema, carregada com a informação certa e que não fosse necessariamente uma cópia do tema anterior.
This Time Vocals
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Dj Shadow
Waxpoetics # 33
A Waxpoetics dedica então o número 33 a Filadélfia, a cidade do amor fraternal, de Harold Melvin & The Blue Notes e, claro, da fabulosa dupla Gamble & Huff (que adorna a capa) e de Teddy Pendergrass (que está no verso). E isto levanta uma história curiosa: a Waxpoetics começou por ser uma revista para diggers experimentados e nos primeiros números abordava nomes que exigiam já um certo grau de conhecimento de toda esta cultura do diggin' (Idris Muhammad, Timothy McNealy), mas em tempos mais recentes tem vindo a reconhecer que mesmo em terrenos mainstream há nomes que podem e devem ser relembrados, como acontece agora com a dupla Gamble & Huff, autêntica máquina de fazer hits que transportou a soul de um modelo Motown até ao limiar do disco sound. Andre Torres, o editor da revista, reconhece isso mesmo no editorial quando diz que tempos houve em que ignorava o som de Philly ("in my early days of record diggin', i slept hard on the Philly Sound"). Na verdade, estes grandes nomes (James Brown, Isaac Hayes, Motown, Stax, Philadelphia International Records)são a base de tudo o resto, a fonte de onde emanaram todos os pequenos afluentes que também adoramos explorar. Ainda ontem li um post de um dos participantes do Hit da Breakz a confessar que não conhecia muito bem James Brown, facto que não o impede de fazer válidas sugestões de novíssimos e obscuros grupos de funk. A minha pergunta é: quando não se conhece bem a raíz, como é que se pode apreciar convenientemente o fruto? A Waxpoetics conhece bem as raízes. Aproveitem esse conhecimento.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Caixa de correio # 1: novidades BBE
Dimitri From Paris Presents
NIGHT DUBBIN'
a dubbed out collection of classic 80's dance music mixed by:
THE IDJUT BOYS
Amostra em cd simples de um lançamento que na versão comercial será triplo incluindo o mix cd dos Idjuts e dois cds com material seleccionado por Dimitri From Paris. De Lenny White a D-Train, de Raw Silk a Rah Band. Fantástico.
Vários
12"S OF PLEASURE
PART III
Rare and unreleased tracks
Terceira parte de uma interessante série que aqui apresenta material de Katalyst, DJ Vadim, Aaron Jerome, Roy Ayers e Vikter Duplaix.
REAL AUTHENTHIC REGGAE
Volume Two
Compiled by David Rodigan
Segundo volume da compilação seleccionada pelo mestre dos sound systems David Rodigan. A escolha é irrepreensível e inclui Augustus Pablo, Luciano, The Melodians e Sugar Minott, entre outros. Nice.
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BBE
Ginga Beat no ar a 22/2
A estreia do Ginga Beat tem hoje honras de página frontal no site da RBMA. Posso garantir, entretanto, que o entusiasmo da crew Ginga Beat é total e genuíno. E as novidades RBMA não pararão por aqui este ano. Sintonizem-se e digam de vossa justiça.
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Fela Kuti no África Eléctrica
Para já, e em jeito de amostra, fica aqui a última emissão que foi para o ar no passado dia 17(os ficheiros são algo pesados - cerca de 140 megas! - porque estão comprimidos a 320 kbps: não há nada pior do que um MP3 a 128 kbps!...).
África Eléctrica # 19 - 1ª parte
África Eléctrica # 19 - 2ª parte
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Fela Kuti
Here i go again...
Nova aventura: mais um blogue. Depois do Hit Da Breakz - que chegou ao fim do seu ciclo - ainda tentei criar um blogue para o programa de rádio África Eléctrica, mas a dispersão das minhas actividades - escrita, rádio, etc... - não me permite o luxo de me concentrar apenas num ponto específico, pelo que concluí que o melhor seria ter uma espécie de "base de operações" que me permitisse ir documentando as diversas actividades e comunicar descobertas, paixões e aquisições musicais que vou fazendo. É portanto por aqui que vou andando para já. Apareçam.
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