segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Lagos disco inferno!


Frank Gossner, do blog essencial Voodoo Funk, prepara compilação de disco nigeriano e tem o teaser certo para nos deixar água na boca!

Gil Scott-Heron na BBC




E o "regresso à vida" de Gil Scott-Heron continua a gerar conteúdos de interesse. Desta vez, o homem de «The Bottle» e «The Revolution Will Not Be Televised» foi entrevistado na BBC.

Soulman diggs again







Soulman, actualmente, encontra-se por aqui. E convém ir visitando regularmente o seu site porque as surpresas são em quantidade apreciável e de qualidade elevada. Como estas duas mixtapes que agora apresenta: «Beautiful» e «Come to Me Softly» (links mais abaixo). Duas viagens conduzidas por uma outra perspectiva deste mestre do diggin' que em tempos entrevistei no HdB.
Podem ler no blog de Soulman tudo o que há a dizer sobre estas duas mixtapes. E entretanto, façam o download!

Beautiful

Come To Me Softly

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O fim dos 1210 da Technics?


Ao que parece a Panasonic acaba de anunciar que vai descontinuar a produção das famosas rodas que mudaram o mundo, os Technics 1210. É o fim de uma era. O ano passado publiquei um artigo que celebrava os 30 anos da invenção da roda de aço celebrada por Grandmaster Flash e por todos os DJs que algum dia usaram vinil.

O aniversário de um gira-discos é mais importante do que se possa pensar: nas três décadas em que o Technics SL-1200MK2 tem estado activo o mundo mudou e um pouco por sua causa: o Hip Hop e o culto crescente do dj como super-estrela devem tudo a estas rodas de aço que a partir do Japão tomaram conta do mundo.


Numa época de gadgets cada vez mais fantásticos, no sentido George Lucas do termo, e do desaparecimento da música do terreno do palpável, é admirável perceber que uma invenção com três décadas continua, teimosamente, a ser ferramenta talhada para a descoberta e a invenção. Foi há 30 anos que a Matsushita, fabricante japonês da marca Technics, colocou no mercado o modelo SL-1200MK2 que, ainda hoje, é usado por djs de todo o mundo.
A série 1200 da Technics está no mercado desde 1972 e por isso equipou muitas das cabines de Nova Iorque fundamentais na construção da arquitectura Disco Sound que dominaria boa parte dessa década. Mas só em 1978 é que surgiu no mercado o modelo que ainda hoje serve de base à versão mais comum, a 1210. A Technics introduziu poucas alterações no seu gira-discos desde 1978 sendo sobretudo sensível a pequenas modificações sugeridas pelo próprio uso que os djs lhe davam. As rodas de aço, como Grandmaster Flash lhes chamou, são, na verdade, o pilar técnico de uma revolução.
Meros 15 anos após o aparecimento dos Beatles, no Bronx nasceu outro tipo de culto: nos bairros sociais de uma das mais devastadas zonas da cidade de Nova Iorque, multidões reuniam-se para observar não um grupo de rapazes com guitarras, baixos e baterias, mas pioneiros como Afrika Bambaataa e Jazzy Jay, Kool Herc, Grandmaster Flash e Grandwizard Theodore, DJ Hollywood, DJ Breakout e outras lendas que mesmo dispensando instrumentação convencional conseguiam concentrar em si as atenções como verdadeiras estrelas.
Nesta altura o Hip Hop começava a impor os seus códigos, mas a partir de Manhattan outro tipo de revolução já estava em marcha e o dj como shaman, capaz de conjurar espíritos e manipular emoções pela forma como sequenciava os seus discos, começava a adivinhar-se. Em locais como o Gallery ou o mítico Studio 54 as pessoas reuniam-se em torno de um tipo, muitas vezes italiano, para dançar e estilhaçar convenções arcaicas de identidade sexual e social. No virar da década, o poder e alcance do dj era uma realidade incontornável e nomes como o de Larry Levan ecoavam como se de semi-deuses se tratassem.
Entretanto, em Chicago e Detroit outras revoluções desenhavam-se tendo igualmente o Technics 1200 como principal ferramenta. O House e o Techno nasceram ambos a partir das explorações de DJs como Frankie Knuckles, Ron Hardy ou Electrifying Mojo que em clubes ou na rádio apontavam a direcção pela forma com que usavam os seus gira-discos: mais do que meras ferramentas, os pratos onde se colocava o vinil eram extensões da própria personalidade dos djs.
As bases para uma nova ordem, que se tornou evidente depois da explosão da cultura de clubes no arranque dos anos 90, estavam lançadas e o dj como super-estrela tornou-se realidade. Obviamente muitos dos grandes nomes que hoje fazem o circuito mundial de super-clubes, funcionando como uma espécie de jet-set do mundo dos djs, há muito dispensaram o vinil como suporte principal da música que tocam. Mas graças a novas tecnologias como o Serato, mesmo armados com laptops esses djs continuam a utilizar o gira-discos como interface principal para a sua própria relação com a música: podem ter eliminado essa incurável fonte de problemas para a coluna que são as toneladas de vinil que tinham que se carregar para os clubes, mas não dispensaram as rodas de aço que permitem a manipulação da música.
Claro que para a comunidade mundial de gira-disquistas o Technics SL-1200MK2 continua a ser uma referência. Estes guerreiros que nasceram do Hip Hop, transformaram o gira-discos num autêntico instrumento levando a que DJs passassem a ser vistos na companhia de músicos “convencionais”: desde que Herbie Hancock recrutou Grandmixer DST para “Rockit” que uma nova tribo emergiu e passou a realizar calculadas experiências de manipulação de tempo e espaço a partir dos Technics. Por causa disso, algures no virar desta década anunciou-se que no Japão a venda de gira-discos tinha ultrapassado a das guitarras eléctricas. Ser DJ passou, pelo menos durante um certo período, a ser um objectivo mais desejado do que ser o novo Van Halen ou Slash.
Hoje, são várias as marcas – Vestax, Gemini, Numark, Stanton… – que competem no mercado que a Technics inventou sozinha. E os novos modelos de gira-discos que continuam a surgir no mercado todos os anos funcionam como monumento à longevidade de um pedaço de tecnologia que de facto revolucionou o mundo da música.

Simon Reynolds e mais achas para a fogueira do hip hop

Nada a acrescentar em relação ao que já escrevi aqui, a propósito do já notório texto de Sasha Frere-Jones em que agora Simon Reynolds também pega, no The Guardian (texto e link mais abaixo). A evidência é clara. E, no entanto, ouvir exercícios de simplicidade absoluta (como o volume de Koushik para as Rhythm Trax da Stones Throw) ou esforços de reformulação dos códigos desta cultura (ainda será hip hop o que Hudson Mohawke faz em «Butter»? É certamente informado por essa cultura, e talvez até sobretudo pelos gestos mais esteticamente desafiantes de gente como Timba ou Pharrell...) levam-me a pensar que algo de novo se aproxima. O hip hop começou por se impor por via do DJ e a promoção dos MCs à boca de cena ficou a dever tudo à necessidade da indústria aplicar os seus parâmetros de alcance de sucesso. Esta nova geração de produtores - FlyLo, HudMo, Jneiro Jarel, Ras G et al - e gente como Madlib, Exile etc - trabalha desse ponto de vista puramente sonoro, em busca de novos estímulos que reconduzam a música que criam a uma nova realidade. Que ainda não sabemos se será estritamente hip hop. Ao contrário do momento formador desta cultura, as coordenadas geográficas estão agora dispersas - Europa, Japão e até África podem agora ser polos tão entusiasmantemente activos como Nova Iorque ou Los Angeles. As contaminações são igualmente diversas - já não apenas o funk e o disco do momento criador, mas também o rock e sobretudo as diversas linguagens electrónicas. Penso ser seguro dizer que o hip hop tal como o conhecíamos morreu, de facto. Penso ser igualmente mais do que uma mera possibilidade que a breve prazo surja uma nova e certamente híbrida fórmula que imponha um som herdeiro do hip hop. Como quando o house e o techno sacudiram a herança disco e se impuseram como novas linguagens.

Simon Reynolds's Notes on the noughties: When will hip-hop hurry up and die?

A month or so ago New Yorker pop critic Sasha Frere-Jones wrote a column about the state of rap, starting with the proposition ("proclamation" would be too bombastic a word) that 2009 was, in fact, the year of hip-hop's death. I read it and couldn't find a thing to disagree with. My only quibble was that he might have called it earlier. Perhaps 2006, when Nas released Hip Hop Is Dead. Or even 2004, when Timbaland "repeatedly voiced … a frustration with pop music, particularly the hip-hop end of it" (according to his New York Times interviewer, one Sasha Frere-Jones) and further declared: ''It's time for me to retire, because it ain't the same … I'm tired of stuff now, even stuff that I do." (He also, said, mindblowingly, that "Coldplay and Radiohead are the illest groups to me. That's music".) That same year, 2004, Jay-Z also confessed – on the eve of his (ha ha) retirement and moving on to bigger, more challenging fields of endeavour – that he too was "bored" with hip-hop. Rap had become "corny", he said, and accordingly he no longer felt peer pressure to raise his game (something underlined by the steady decline of his output after 2001's magisterial The Blueprint).

As I read Frere-Jones's piece, I also knew there'd be complaints and counter-arguments galore. And sure enough they came – droves of pissed-off fanboys brandishing obscure mixtapes and overlooked albums as proof of the genre's continued vitality. Some whined that the sample on which his genre survey was based was too small (Jay-Z's new slab of going-through-the-motions, efforts by Kid Cudi and Wu-Tang clansman Raekwon, unsigned rapper Freddie Gibbs) while others questioned the entitlement of a white fortysomething to pronounce on the vital signs of a black pop genre in the first place. I don't know, but I'd have thought 25 years of attentive fandom would at least justify having an opinion. Plus it's not as though this kind of gloom-and-doomy assessment of hip-hop hasn't been voiced repeatedly by black critics and black fans, not to mention the performers themselves.

Pundits who deem something to be in decline are invariably accused of nostalgia, so another angle of retort was that Frere-Jones was pining for the Lost Golden Age: the late 80s/early 90s, rap in its first flush of artistic maturity, but still a genre primarily oriented around samples and breakbeats. The era of DJ/producers like the Bomb Squad and Eric B, Marley Marl and Prince Paul, Premier and Pete Rock. But you don't need to go back that far to locate a peak now passed. You just have to think of the first four years of this decade, which was the continuation in full force of a late 90s resurgence of mainstream rap that effortlessly managed to be commercial and street at the same time, combining pop hooks and jagged rhythmic innovation, glitzy entertainment and edge. This seven-year-long surge was largely but not exclusively driven by the Dirty South: cities like Atlanta, New Orleans, Memphis and Houston; producers like Timbaland, Neptunes, Mannie Fresh, Lil Jon, and Mr Collipark; MCs like Ludacris, Missy Elliott, Three 6 Mafia, Clipse, Ying Yang Twins, and those Cash Money hot boys Juvenile, BG and Lil Wayne. But the rest of the US played its part, from the Ruff Ryders family (DMX, the Lox, Eve, plus producer Swizz Beatz) through Ja Rule and Nelly, to the Dre/Eminem/50 Cent axis.

Underground rap fans sniffed at this brash, bolshy sound, based not on the breaks-and-samples template of classic hip-hop (partly because licensing samples had become too costly) but favouring instead synthesiser riffs and refrains modelled on techno-rave and 80s pulp movie soundtracks. The drum machine rhythms had an 80s vibe too, the double-time hi-hats and 808 bass-booms reactivating that whole other side of early hip-hop based around electro not looped breaks, Bambaataa not JB. Backpackers also complained about all these crossover rap hits with R&B choruses, which they saw as selling out the ideal of hip-hop as a showcase for MC virtuosity. But even as the ascendant street rap sound borrowed R&B's hook power and gloss, the nu-skool rap influenced R&B. By the turn of the millennium the genre were less separate than Siamese twins (something symbolised by the union of Beyoncé and Jay-Z). Together street rap and nu-R&B flooded global pop music with rhythmic pizzazz and in-yer-face attitude. The fall-out, just in the UK alone, includes the "chav-pop" swarm of girl groups and boy bands, MIA, and grime (not so much in the MC-ing, which owes more to jungle and dancehall, but in terms of beats and production, plus what would prove to be false expectations for mega-fame and Puffy/Jay-Z style transmedia empire building).

It's the vigour and invention of the first third of the Noughties that makes the last five years of rap look stalled and sapped, not old-skool days so remote only grey-hairs remember them. By any sensible metric, rap has slipped hugely from where it was when this decade began. It's not dominating the pop charts anymore, and neither is it irrigating the mainstream with new beats, styles, and slanguage. It's not producing major album-length statements, give or take an 808s & Heartbreak (revealingly, not rapped but sung). It's not even coming up with compelling new personalities. The last, by my reckoning, were Lil Wayne (whose debut was released in 1999) and Kanye West (who debuted in early 2004). West has turned out to be a mixed blessing, while Wayne spread his brilliance thin across innumerable mixtapes, plus 2008's uneven Tha Carter III. Some swear by TI and Young Jeezy as charismatic artists, but neither came up with a MC persona we've not seen before. And, for these last three or four years, rap has been a desperately unmemorable procession of cookie-cutter ballers – Jim Jones, Gucci Mane, Yung Doc, Soulja Boy, Lil Boosie, Gummi Bares – whose lyrics trudge a hedonic treadmill of bling and booty, punctuated by the occasional inane dance-craze. Even the sound of rap – always its saving grace in the absence of political engagement or MC-as-poet depth – deteriorated in the second half of this decade. The odd angles and eerie spaces in productions by Mannie Fresh or Mr Collipark were flattened out, replaced by portentous digi-synth fanfares and lumbering beats, a brittle bass-less blare that seemed pre-degraded to 128kbps to cut through better via YouTube and mobile phone ("ringtone rap", some called it), rendered all the more cheapo-sounding and plastic non-fantastic by the endless Auto-Tune fad.

One of the most interesting observations in Frere-Jones's piece is that rap producers are abandoning swing and syncopation for more pulse-based club rhythms (house/trance/electro-pop), resulting in a shift to a European rather than African-American feel. Flo Rida's Right Round, based on Dead or Alive's Eighties Hi-NRG hit, is a good example, and new nadir. Actually, I still hear quite a lot of bump and skitter in street rap but there's a pedestrian familiarity to the beats: they do the job solidly enough but they're the rhythmic equivalent of comfort food, reflexively tugging at your hips and shoulders but never approaching the stark strangeness of early Noughties productions like Ludacris's What's Your Fantasy or J-Kwon's Tipsy.

I quizzed Josiah Schirmacher, a young DJ friend who disagreed vehemently with the New Yorker piece and he replied that there was plenty of life in hip-hop but it was all "on the local level", pointing to styles like jerk, as favored by teenagers in Los Angeles. This was another story of the hip-hop Noughties: the succession of city-based sounds, starting with New Orleans bounce and continuing with crunk, hyphy, snap, juke, etc, which hatch as regional styles but thanks to the marvels of the internet (especially YouTube) are chased avidly by an international cadre of largely white, middle-class beat-nerds. I was one for a while, but then started to feel that underneath the cool local quirks (for instance, in the Bay Area, hyphy MCs shout out to freeway exits, which is how the different neighbourhoods know themselves, as opposed to, say, wards in New Orleans) all these sounds were, at base, the same. Electro variant + goofy dance + bawdy lyrics + (optional) drug-of-choice (E, with hyphy; purple drank aka cough syrup in other places, and so on). In a funny way, the pasty-faced, steroid-popping northwest England scene donk is a distant cousin of all these black American sounds: same anonymous rapping, same humorously boastful/sexist lyrics, same bling videos, same utterly local orientation offset by the occasional nationwide hit. The Blackout Crew, basically, are Cold Flamez.

Haven't talked about underground rap yet, but it doesn't exactly impose itself on your consciousness, does it? Like the lo-fi indie it resembles, this sector puttered on much like it did through the 90s, odd flashes of genius (Cannibal Ox, Dilla, Quasimoto/Madlib etc) amid the crate-digging antiquarianism. Barely creating a ripple in the larger pop culture, undie rap is probably pretty content with its niche, a haven of "quality" in a mercenary world. This stuff bears the same relationship to Dirty South type-rap that someone like Elvis Costello did with rock after 1984 (and, what d'ya know, Costello recently teamed up with the Roots to perform some of his classics on a US chat show). But as with the late-80s "golden age", the late 90s/early 00s surge showed that during rap's heyday phases the most innovative music rises to the top; it's not something you have to seek out, because it dominates radio and music-video channels, booms from passing cars.

The "Death of …" piece is a genre of criticism that's fallen into disrepute (there was a period when you'd be constantly tripping over essays announcing the End of something: art, theory, rock, rave ). People now seem to feel that "no genre ever really dies" (to adapt the Neptunes/NERD motto). Was this in fact one of the problems with the Noughties? No genre went gently into that good night: they all clung on, cluttering up the musical landscape. This not only made it harder for new things to emerge, it's meant that we've all come to forget that, in fact, totally new things have emerged in the past. There was, for instance, a time when hip-hop didn't exist. The refusal to admit that a genre can die (which doesn't mean literally disappear – it may even generate good stuff now and then –but refers to stagnation, irrelevance, becoming uncoupled from the zeitgeist) is a denial of the possibility of change, renewal, the unexpected. The very vitality of a form of music implies the possibility of its eventual death.

I sympathise with the Frere-Jones dissenters; it must be galling, having built up all that expertise and knowledge, to have your subcultural capital voided by some old git in a bow tie (compulsory at the New Yorker, don't you know) airily declaring the area obsolete. One of the cunning rhetorical ruses used in these critical turf wars between enthusiasts versus curmudgeons is to suggest that the latter are projecting their physical decrepitude on to the state of music. But you could just as easily reverse that and argue that the young are projecting their physical vitality on to the senescent body of pop (every fibre of their hormonally flushed being shouts "it still LIVES!"). I won't say that hip-hop is dead. But it does seem to be doing a good impersonation of being at death's door. More to the point, judging by its output in recent years, it's become a deadening force: as a listening experience, but also as something that maintains a deadlock on the musical imagination (and personal ambitions) of Black American youth. I doubt very much that this demographic has no more surprises up its sleeves in terms of sound and style, judging by past form(s) (jazz, rhythm and blues, funk, house, et al ). But that New Thing won't come until they tire of hip-hop themselves and turn against it.

Posted by Simon Reynolds Thursday 26 November 2009 12.54 GMT guardian.co.uk

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Social Disco Club + Horse Meat Disco @ Lux


Humberto Matias, aka Social Disco Club apresenta-se já esta sexta-feira no Lux, na mesma noite em que o clube londrino Horse Meat Disco se instala de armas e bagagens no mesmo clube de Santa Apolónia. A esse propósito - e porque há muitas e ultra-interessantes novidades no campo Social Disco Club - trocámos umas palavras com Humberto Matias.

Estás cheio de novos lançamentos, sempre em editoras internacionais. Queres sistematizar as tuas mais recentes propostas?
Os meus trabalhos mais recentes, (editados no passado mês), foram o primeiro 12" na minha editora, Hands Of Time, uma remistura para o single "Another Likely Story" de Au Revoir Simone na Moshi Moshi e um re-edit, (oficial), de Gitchy Dan's Beachwood #9 "Cowboys & Gangsters" na Strut - que por sua vez adquiriu os direitos à Ze Records. Já no próximo mês sairá a minha remistura para o single "Sugar" dos The Love Supreme na Tirk e dois discos de edits na American Standard e na Disco Deviance.
Tenho outros trabalhos prontos, originais e remixes, que so serão editados no proximo ano.. Entretanto estou a remisturar The Revenge e tenho em mãos outro projecto com a Gomma.

Certamente que há muita gente a pensar "como é que ele consegue?". Por isso mesmo, diz-nos: como é que se entra no circuito internacional de edições, como tu entraste?
Muito trabalho, acreditar no que fazemos, e apresentar trabalho interessante - é basicamente isto. Depois, a internet ajuda com o que falta. Mas, sem dúvida que o mais dificil é "arrancar", editar o 1º disco, e esse ser bem recebido pelo público alvo, depois os contactos multiplicam-se, bem como propostas, etc.
Eu "entrei" nesse circuito depois de ter mostrado alguns dos meus trabalhos ao Greg Wilson. Ele sugeriu que me aliasse ao Barna Soundmachine e partilhasse com ele um 12" - foi assim que nasceu o Barna Vs. Porto Ep.

Como descreverias actualmente a cena disco? Continua em força?
Sim, com mais força que nunca, julgo eu. Essencialmente porque, (novamente), o disco se fundiu com o house. Depois porque há inúmeras festas pelo mundo fora que ajudam a sustentar este "hype" e a trazer um público mais jovem para a cena.

Por quem é que te falta editar? Neste momento quais são o steus objectivos? Alguma editora que gostasses de acrescentar ao teu currículo?
Humm... talvez a DFA... (Risos) Os meus objectivos passam por continuar o que tenho vindo a desenvolver até aqui, aprender cada vez mais, mas de uma forma sustentada. Ah, e tocar um pouco mais cá em Portugal...

Já alguma vez te sentiste tentado a criar um re-edit com gravador de fita?
Não (risos).

O que é que se pode esperar desta noite com os Horse Meat Disco?
Tudo! quem conhece as noites Horse Meat Disco no The Eagle em Londres e pelas festas HMD pelo mundo fora, sabe que de alguma forma se consegue ter uma ideia do que eram as festas no Paradise Garage, Studio 54, etc - Não estou a comparar, seria um absurdo, mas o espírito está lá. São noites de pura loucura, ousadia, etc..
Eu vou tentar ajudar com um set talvez mais "classic disco", com todos aqueles vocais, strings, etc...

Top 10 corrente

Ok, por ordem aleatória

Jonathan Jeremiah - Hapiness (Morgan Geist Remix) (Universal)
The Beat Broker - Frisco (At Midnight) (Hands Of Time)
ZEvolution - Ze Records Re-Edited (Strut)
Greg Wilson - Credit To The Edit Vol.2 (Tirk)
Social Disco Club - I'm Good For You (Dr. Dunks Redunked) (Hands Of Time)
Johnwaynes - Entrudo (Mule Musiq)
Ulysses - Latin Combo (Wurst)
Linkwood & House Of Traps - Barely Eagle (Linkwood)
T&K - Mucho Swash (Italians Do It Better)
Toby Tobias - Macasu (MCDE Loft Party Mix (Rekids)

Top 10 de artistas clássicos

Difícil... mas cá vão alguns favoritos:

Gaznevada - I.C. Love Affair (Italian)
The Amazing Bingo Band - Power Music (Motor Show 79')
Discognosis - Step By Step (AVI)
Made In Usa - Melodies (De-Lite)
Hamilton Bohannon - The Groove Machine (Mercury)
Jean Wells - I Just Can't Stop Dancing (TEC)
Musique - Love Massage (Prelude)
Sylvester - I Need You (Fantasy)
The Coach House Rhythm Section - Timewarp (Ice)
B.W.H - Stop (House Of Music)

Finalmente, para apontar na agenda, próximos lançamentos Social Disco Club:

+ Social Disco Club & Maia - "The Way You Move" (Bear Funk)
+ Social Disco Club - Portuguese Revenge (Eskimo)
+ Social Disco Club - Man Of Magic (Hands Of Time)
+ ZEvolution: ZE Records Reworked (Strut)
+ Let Me Show Ya (Social Disco Club Re-Tribute) (American Standard)
+ Love Supreme - Sugar (Social Disco Club Remix) (Tirk)
+ Social Disco Club - I'm Good For You (Hands Of Time)
+ Don Carlos - Alone (Oficial Versions) (Social Disco Club & Maia Version) (Acres Wild / Permanent Vacation)
+ Au Revoir Simone - Another Likely Story (Social Disco Club Remix) (Moshi Moshi)
+ Disco Deviance - Give Me The Sunshine (Disco Deviance)
+ Social Disco Club - The SDC Edit Ep (Boxmusic)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Folkways e a electrónica

Coisas das redes sociais: alguém menciona Idris Ackamoor, investiga-se, a curiosidade cresce, outra pessoa refere que pode mandar vir o disco da Em Records, tal acontece e depois, olhando para o catálogo não se resiste e encomenda-se mais um par de coisas da mesma editora, entre elas o álbum de 1979 «Electro-Symphonic Landscapes» assinado pelo casal McLean - de Priscilla e Barton Mclean. Há um artigo interessante assinado pelos McLean aqui. Entretanto, essa reedição da Em Records chamou-me a atenção para o incrível acervo da Folkways nos domínios da electrónica. Editaram, por exemplo, «Futurible», álbum de livraria de Gianni Safred que já incluí numa lista de melhores discos de sempre. As referências electrónicas da Folkways podem ser consultadas nesta página. E mais uma porta se escancara.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Noise & Capitalism: livro para download gratuito

E a propósito de consulta ao site da Wire para elaboração do post anterior, dei de caras com esta notícia. Uma primeira passagem de olhos pelo indice do livro (documento pdf com 197 páginas, link abaixo ou na notícia hiperligada acima) revela que se deve tratar de uma leitura muito interessante, a apontar o território da Improvisação Livre como zona fértil numa cultura de resistência. Vem aí o Inverno, os dias longos e chuvosos e por isso são precisas achas para a fogueira das leituras. Fica aqui uma. Agora quero um Kindle para o Natal...

Noise & Capitalism pdf

The Wire: Sensational na capa

A primeira vez que ouvi falar em Sensational foi em 97, quando editou «Loaded With Power» naquela que era então uma das minhas editoras de referência, a WordSound de "Skiz" Fernando. E fui-lhe seguindo as pisadas, tanto na Wordsound como no selo afiliado Black Hoodz, com interesse acrescido depois de ter ficado a saber da sua ligação aos Jungle Brothers. Sensational tem agora novo álbum com o alter ego de "Skiz" Fernando, Spectre, e o título só promete: «Acid & Bass». Tendo em conta o pedigree da WordSound na exploração dos mais profundos pontos de intersecção entre o hip hop e o dub, a coisa promete. Mal posso esperar para por as mãos em mais este número da Wire, revista que continua a demonstrar capacidade na exploração de algumas das mais interessantes "outer zones" da produção musical actual.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mr Million Dollar Disco returns...


Al Kent, de volta, com sons secretos.

Joakim: cientista louco

Regresso do produtor francês de culto que já emprestou o seu toque pessoal a artistas como Cut Copy, Simian Mobile Disco ou Royksopp. «Milky Ways» é o título da sua viagem pelo espaço.

Uma busca na Wikipedia revela o nome de Joakim Lindstrom, que por acaso identifica um jogador de hóquei sueco nascido em 1983, mas que não ficaria mal como baptismo para um projecto que reunisse o norueguês Hans-Peter Lindstrom e o francês Joakim Bouaziz. No que a projectos musicais diz respeito, seria perfeitamente possível pensar em encontros bem mais improváveis. Afinal de contas, Joakim e Lindstrom partilham um mesmo gosto por paisagens analógicas, sons em câmara lenta e uma ideia muito sui géneris de disco sound. Esses pontos em comum entre a obra do produtor nórdico e do homem do leme da editora Tigershushi tornam-se mais evidentes durante a audição de «Milky Ways», trabalho que sucede a «Monsters & Silly Songs» na discografia de Joakim. Entre o rock e um psicadelismo electro, disco progressivo, new wave transviada e algo mais de indiscritível, adivinha-se o som de um produtor a chegar à idade adulta, com perfeita consciência da exposição plena do passado perante os ouvidos contemporâneos.
A revista online 365mag citava Joakim a propósito de «Milky Ways»: «Penso que a maior parte dos jovens artistas de hoje são uma espécie de arqueólogos, especialmente nos domínios do design gráfico e da arte contemporânea». Não é possível competir com a história, com o que já foi feito. Tem-se que usar isso de forma mais ou menos desrespeitosa para se conseguir fazer coisas novas. Não se pode dizer apenas “vamos fazer algo novo e esquecer tudo o que foi feito antes”. Isso é impossível e pretensioso. Especialmente quando toda essa música está disponível algures em permanência. Sou viciado em música e ouço coisas muito diferentes e sempre que ouço algo interessante numa canção eu penso “vamos tentar isto, colocar esta ideia num contexto completamente diferente e ver o que acontece, como um cientista louco.» A confissão de Joakim é desarmante e também profundamente honesta. A tecnologia transformou boa parte da criação em colagem, o que não significa que no contexto actual o acto de colar seja inferior ao de criar. A verdade – e concentremo-nos especialmente no universo da música – é que nunca nenhuma outra geração teve que lidar com o facto de passado e presente existirem num mesmo plano, indiferenciado: uma nova banda pode ser em iguais doses influenciada pelos Beatles e pelos Arctic Monkeys – estão ambas presentes nas prateleiras das grandes cadeias de lojas. Ou por Bernard Szajner e Flying Lotus… A cada dia que passa aumentam as referências disponíveis, se não no mercado das reedições, certamente nos blogs apostados em digitalizar as mais obscuras memórias. Joakim tem consciência desse facto. E «Milky Ways» mostra-o claramente.
«Sempre que termino um disco, penso sempre, “ok, isto é o que eu não gosto, temos que fazer algo diferente para a próxima. Desta vez eu pensei em fazer algo mais simples e mais directo do que no álbum anterior, mas não me parece que tenha conseguido. Quando estava a masterizar o disco pensei “whoa, isto é bastante intenso. É como se a dado momento o processo criativo escapasse ao meu controle. Tentamos ter uma forma de adaptar as canções que nos dê mais liberdade para improvisar, dependendo da situação. Na maior parte das vezes as versões ao vivo dos temas são mais simples e mais rock – bastante barulhento por vezes. A inspiração base para o álbum foi a ideia de juventude e de espírito adolescente na nossa sociedade baseado no consumo. E isso colocado em paralelo com a ideia de estado selvagem ou de paraíso perdido. Como se estas duas coisas – estado selvagem e juventude – fossem dois estados míticos.»
O subtexto psicadélico que atravessa «Milky Ways» ajuda a compreender as declarações de Joakim, interessado em regressar a uma pulsão mais primária e comunal com a banda que o acompanha, apropriadamente baptizada como The Disco. Goblin e 13th Floor Elevators, Richard Bone e Rinder & Lewis, Lindstrom e Chris & Cosey, os Can e Alan Vega… Joakim. As coordenadas são as da mais pura liberdade e da mais aberta imaginação. E «Milky Ways» é Joakim a pensar em voz alta, no estúdio, com músicos capazes de o seguir em qualquer direcção. Como os assistentes de um louco e visionário cientista.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Madlib essencial na Fact


A Fact acaba de publicar a sua lista de entradas essenciais no catálogo de Madlib. Eis a lista:

01: LOOTPACK
SOUNDPIECES: DA ANTIDOTE
(STONES THROW, 1999)
02: KAZI‘DOWN FOR THE KAZ'
(STONES THROW, 2000)
03: QUASIMOTO
THE UNSEEN
(STONES THROW, 2000)
04: YESTERDAYS NEW QUINTET
ANGLES WITHOUT EDGES
(STONES THROW, 2001)
05: DUDLEY PERKINS‘FLOWERS’
(STONES THROW, 2003)
06: MADLIB
SHADES OF BLUE
(BLUE NOTE, 2003)
07: JAYLIB
CHAMPION SOUND
(STONES THROW, 2003)
08: MADVILLAIN
MADVILLAINY
(STONES THROW, 2004)
09: BEAT KONDUCTA
BEAT KONDUCTA VOL. 1 - 2: MOVIE SCENES
(STONES THROW, 2006)
10: DJ RELS
THEME FOR A BROKEN SOUL
(STONES THROW / GOYAMUSIC, 2004)


Boa lista, com muitos dos meus "personal faves" aqui listados em ordem inversa de preferência do autor, Mr Beatnick (faltarão alguns dos momentos mais... esotéricos de Madlib, incluindo as homenagens a Weldon Irvine e Stevie Wonder).
Lista completa e textos aqui.

Jazz Bridges # 18: The Lyman Woodard Organization

A Waxpoetics, agora também editora de discos, lançou a obra prima do recentemente desaparecido Lyman Woodard, músico-operário de Detroit.

Vivemos actualmente um estranho fenómeno, maximizado pela idade digital, em que a música existe toda num mesmo e simultâneo plano: o passado e o presente, o raro e o comum, o histórico e o obscuro. Está tudo disponível. Os efeitos a nível criativo desta nova realidade podem ser tremendos e um estudo atento dos caminhos percorridos pelos mais desafiantes músicos dos dias de hoje pode revelar isso mesmo. Mas na década de 60 ou de 70, as referências dos músicos passavam essencialmente pelos eixos facilitados por três planos – o que a rádio tocava, o que a indústria disponibilizava e, claro, pelo que a realidade circundante lhes oferecia em termos de experiência directa com a oferta de concertos. E tendo essa ideia em conta, poucos locais do mundo deveriam ser tão interessantes para um músico viver como Detroit: excelentes estações de rádio abertas a múltiplas sonoridades, imensas lojas de discos onde a soul psicadélica de Stevie Wonder dividia espaço com o rock abrasivo dos MC5 e, claro, uma vibrante cena de clubes alimentada pelos músicos profissionais que procuravam a Motor City para trabalhar, oferecendo entretenimento aos milhares de funionários da indústria automóvel que definia o tecido social da maior cidade do Michigan.
Cenas locais como a de Detroit têm funcionado como autênticos filões nas escavações de descoberta do passado efectuadas por coleccionadores de todo o mundo. Um dos artefactos expostos com essa continuada investigação foi o álbum “Saturday Night Special” da Lyman Woodard Organization, «uma colecção funky de jazz operário que, até aos dias de hoje, se mantém como um testamento às espantosas relíquias de expressão artística nascidas neste activo lugar e época da música americana», escreve John Kirby nesta recente edição da Waxpoetics (esta revista tem-se igualmente dedicado à reedição de obscuras pérolas do passado; no caso de “Saturday Night Special”, uma edição original da Strata – não confundir com Strata East –, a Waxpoetics lançou uma edição limitada a 1500 exemplares numerados em vinil de altíssima qualidade). Entretanto, e por uma infeliz coincidência, esta reedição acordada com o próprio artista acabou por ser praticamente coincidente com o desaparecimento de Lyman Woodard, que faleceu aos 67 anos em Fevereiro deste ano.
«Através dos anos a estética da Motor City tem sido incorporada no trabalho de músicos tão variados como John Lee Hooker, Aretha Franklin, Smokey Robinson, Bob Seger e Donald Byrd. O grande Yusef Lateef, um dos principais arquitectos do som de Detroit durante os anos 50, mais tarde prestou tributo a este fenómeno com o seu álbum “Lateef’s Detroit”. Mas é no trabalho de um profissional contemporâneo, um tal de Lyman Woodard, que a estética de Detroit encontrou a sua mais elevada expressão até aos dias de hoje», escreve o notório John Sinclar nas notas de capa originais da rara edição da Strata que facilmente atingia os 500 dólares quando surgia no eBay. Sinclair, fundador dos White Panthers, poeta e activista radical da década de 60, foi igualmente manager dos MC5 e uma das mais proeminentes figuras na Convenção Democrática de 68 que atraiu até Chicago activistas e poetas como Allen Ginsberg. Em 69, Sinclair que era observado pelo FBI, foi preso por passar dois charros de marijuana a um agente policial e condenado a 10 anos de prisão, facto que motivou protestos por parte de protagonistas do lado mais engajado dessa época, como foi o caso de John Lennon que sobre ele escreveu a canção «John Sinclair». Uma verdadeira autoridade, portanto, que garantia em 1975, nas já referidas notas de capa de “Saturday Night Special”, que «Woodard, um residente da área próxima ao West Side de Detroit nos passados 10 anos, tem uma história musical quase tão rica e complexa como a própria história da música de Detroit».
De facto, Lyman Woodard era um profissional, no verdadeiro sentido da palavra, tendo, como tantos outros músicos, começado por orbitar na esfera da Motown: gravou com vários artistas dessa grande editora de soul, foi director musical de Martha and the Vandellas e angariou salários no circuito de clubes com um trio que incluía o baterista Melvin Davis e o guitarrista Dennis Coffey. Mais tarde fundou então a sua organização com a colaboração de veteranos da cena de Detroit como Ron English, guitarrista que tocou com Marcus Belgrave ou Phil Ranelin. Em “Saturday Night Special” o que impressiona é a fluidez da música, com os teclados de Woodard – piano eléctrico, órgão e até mellotron – a servirem de ponte entre os universos do jazz e do funk, com colorações latinas a darem um sinal extra de que esta é música (gravada originalmente em duas sessões de Novembro de 73 e lançada em 1975) inserida numa excitante época de mil possibilidades. Hoje, o olhar de um músico pode lançar-se em simultâneo sobre diferentes cenas, estéticas e épocas da música, aproveitando o extraordinário trabalho de redescoberta do passado efectuado por inúmeras editoras apostadas em relançar música há muito esquecida. Mas em 1973, o olhar de Woodard limitava-se ao que testemunhava nos clubes e à música que ouvia no rádio ou em casa. “Saturday Night Special” é por isso música ancorada no seu tempo, mas nem por isso datada. Revelando o mesmo espírito aventureiro que guiou algumas das estratégias de fusão de Herbie Hancock, Lyman Woodard e a sua organização oferecem-nos uma sólida experiência de groove, com o jazz a servir como a língua franca com que todos os músicos envolvidos comunicam. Essencial.

(Texto publicado originalmente na revista Jazz.Pt)

Edan: a arte da colagem


Vem aí «Echo Party» a tempo de furar nas listas de melhores do ano. Para já, um vídeo em regime Bollywood psicadélico, disco schizzo e o que mais se possa pensar. A amostra deixa-me de água na boca.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

DJ Ferrari strikes again: Brasil 45 mix

DJ Ferrari volta a atacar, desta vez com uma mix em que recorre apenas a singles brasileiros numa selecção estonteante, como a imagem que ilustra este post deixa bem claro. Matéria prima luminosa para iPods que, certamente, se andam a ressentir dos prenúncios invernis que andam no ar.

Combining my two loves into one mix... Brazilian records and 45s. Technically, Brazilian 7" singles play at 33 rpm, but let's just say 45 for naming sake. 80 minutes of rare Samba, Bossa Nova, MPB, Soul, Funk and Psych singles from Brazil. Some exclusive to singles and some LP tracks, but all dope!


Gal Costa - Mamae Coragem
Tim Maia - Ela Partiu
Os Brasas - Beija-Me Agora
Abilio Manoel - Diz Que Estava
Eva - Agora
Bebeto - A Beleza E Voce Menina
RC-7 - Venha Ver O Que A Luiza Ganhou
Orlandivo - Tudo Joia
Wanderlea - Mane Joao
Dora e Walter - Adeua Bahia
Piti - Espuma Congelada
Wando - Lamento Do Capoeira
Kris-Cristina - Una Rosa Com Amor
Jorge Ben - Olha A Beleza Dela
Wilson Simonal - Brasil Eu Fico
Anamaria & Mauricio - Manequim
Tom Ze - Escolinha De Robo
Fafa De Belem - Naturalmente
Grupo Selecao - O Bofe
Novos Bahianos - Globo Da Morte
Trio Ternura - A Gira
Marisa Fossa - Wanda Vidal
Os Falcoes Reais - Ele Seculo XX
Liverpool - Renata
Miguel De Deus - Black Soul Brothers
Jose Mauro - Tarde De Nupcias
Marcos Valle - Ultimatum
Vox Populi - Passarinhada
Quinteto Ternura - Come To Me Together
Stilo Set - Viajante

DJ Ferrari - Forty Fivan Compacto Edition