Há algo de cosmicamente correcto em receber de presente um álbum com o título «Solar Funk» no preciso momento em que o sol se põe. Sobretudo num cenário idílico como o de Ribeira de Ilhas. Antes de mais nada, portanto, um abraço forte ao grande Wickywacky do fórum Hit da Breakz (novidades para breve... um pouco mais de paciência) que ontem se deslocou até ao Surf Camp de Ribeira de Ilhas para me ouvir tocar e para me oferecer este álbum, da autoria de Travis Biggs. Já conhecia o Travis Biggs da reedição que a Soul Jazz fez de «Challenge», um álbum anterior a este «Solar Funk»: multi-instrumentista com capacidades mais sérias nos teclados e no violino eléctrico, Biggs tinha um som próprio onde o funk, aproximações ao disco e ao jazz de fusão se misturavam em proporções inéditas. Som perfeito para dias de sol e para explorações do espaço mais profundo. Confiram, aqui em baixo. Kris: muito obrigado!
Amanhã o final do dia poderá representar o início do cumprimento de um sonho: há muito que me apetece conjugar a paixão pela música e pelo mar com um "gig" que me permita tocar alguns dos meus discos favoritos num local junto ao oceano e a festa no Surf Camp de Ribeira de Ilhas oferece-me essa possibilidade. A paisagem é incrível, as pessoas que frequentam aquele local têm verdadeiros espíritos livres e até a previsão do tempo aponta para muito calor no dia de amanhã. Ou seja: os astros alinham-se. Por isso mesmo, a partir do final do dia lá estarei para dar música às pessoas enquanto tenho os pés praticamente dentro de água. espero poder escolher pelo menos um par de discos para o momento em que o sol se puser. Aí sim, será mesmo o cumprimento de um sonho.
Ras G é outro viajante negro do espaço, como Sun Ra, Herbie Hancock, George Clinton ou Juan Atkins antes dele. Flying Lotus compara-o a Ra e a Lee Perry, sublinhando, ao mesmo tempo, a sua personalidade "out there" e a sua particular relação com o espaço - físico, mental e aural. Na música de Ras G - que já leva algumas edições - uma névoa psicadélica e uma atitude deliberadamente experimental sobressaiem sempre: os temas são curtos, como se rajadas de uma qualquer arma de raios de uma novela de ficção científica se tratassem. Ras G não tem tempo de se alongar porque cada uma das suas faixas é uma declaração de urgência de tradução do futuro. As coordenadas são complexas - Ra e sound systems, hip hop e dub, ruído e silêncio. Cabe tudo nos seus interessantes lançamentos. Entretanto e depois de um 2008 particularmente activo, Ras G já marcou o ponto em 2009 com um novo lançamento na Brainfeeder de FlyLo: Brotha From Another Planet disponível digitalmente no iTunes onde onde vos der mais jeito.
Não exactamente a colecção de Kenny Dixon, mas um ep "privado" concebido para ser uma ferramenta algo "exclusiva" para djs, mas que já apareceu à venda no discogs. Eu quero...
The Private Collection 2 should never have been solicited. According to Mahogani Music:
"the pressing of this release was extremely small, less than 50 copies and was never meant to be sold. It was a giveaway to Detroit dj's that still play vinyl. We apologize for any false hope and inconvenience, but this record is not available for sale to anyone. We appreciate your understanding."
A1 Flying Lotus Tea Leaf Dancers Edit By - Moodymann A2 Kenny Dixon Jr. Untitled Edit By - Moodymann A3 Q-Tip Move Edit By - Moodymann B1 Terry Callier Love Theme From Spartacus (Roy Davis Jr. Remix) Edit By - Moodymann B2 Dwele Feels So Good Edit By - Moodymann B3 Kenny Dixon Jr. Untitled Edit By - Moodymann
Sounds tasty! Kenny Dixon continua a quebrar regras e a impôr uma visão que é singular, um som que é mais fundo do que o oceano e uma classe que não se rege pelos mesmos parâmetros a que normalmente estamos habituados. Todos os discos que edita são, de alguma forma, gestos radicais. Mesmo quando têm tiragens dramaticamente limitadas e prensagens de qualidade duvidosa. É um homem a desenhar sózinho um mundo. E isso não é tarefa fácil. Volto a dizer: eu quero...
O África Eléctrica # 29 é inteiramente dedicado aos Osibisa, uma banda pan-africana (com músicos do Ghana, Nigéria e das Caraíbas) que alcançou um notório sucesso nos anos 70, operando a partir de Inglaterra. Os Osibisa eram um grupo especial - faziam colidir de forma incendiária a alma rítmica do grande continente africano com cores aprendidas no rock, no funk e no jazz e, claro, com alguns temperos latinos por via dos músicos que vinham das Caraíbas. Algo mais contribuiu para o carácter único dos seus lançamentos - as suas capas de discos: Roger Dean, o homem dos delírios progressivos em capas dos Yes ou Uriah Heep, teve mão nos dois primeiros álbuns dos Osibisa e Mati Klarwein, que traduziria a busca de novos mundos em capas de discos de Santana e Miles Davis, foi o responsável pelo terceiro álbum, «Heads». Curiosamente, os álbuns dos Osibisa são muito fáceis de encontrar no "terreno" por cá: tenho praticamente a discografia completa e já fiz inclusivamente upgrades nalguns álbuns para cópias em excelente estado e sempre os comprei a preços algo reduzidos por cá. Provavelmente, muitos dos seguidores dos delírios sinfónicos deixaram-se enganar pelas capas. Na verdade, as longas estruturas dos temas dos Osibisa devem algo ao carácter progressivo da época que os viu nascer, mas o groove, a gestão rítmica dos temas, as secções de metais, o orgão em ebulição não deixam enganar - esta era uma banda com os pés bem fincados na terra. Na terra quente do continente africano. Procurem, sff!
Emissão # 28 do África Eléctrica concentrada sobre edições mais ou menos recentes, de «Thank you Very Quickly» de Extra Golden a «The Freak of Araby» de Sir Richard Bishop, latitudes diferentes mas ainda assim carregadas pelo número de volts certos para se encaixarem no espírito deste programa. Mas há também Amadou & Mariam e muito Mali na primeira hora. Staff Benda Bilili ou Super Mama Djombo na segunda hora. Não há, de facto, apenas uma África nem sequer apenas um presente ou um passado. Boa viagem!
A compilação «ComFusões 1 - From Angola to Brasil» reúne produtores basileiros (Maurício Pacheco, Moreno Veloso, Dj Dolores e até o brasileiro "honorário" Mario Caldato Jr.) e clássicos de Angola, de Teta Lando e Bonga até aos Merengues e a Elias DiaKimuezo. Essa compilação chegou-me às mãos na passada segunda-feira e dediquei-lhe a primeira hora do África Eléctrica que passa na madrugada da próxima terça-feira. No domingo anterior, há uma semana portanto, passei na feira de Paço de Arcos e encontrei alguns singles da etiqueta Merengue que, em 1975, era uma das formas de celebração da independência de Angola. Um deles de Avôzinho, que agora surge remisturado na já referida compilação (depois de ter sido incluído, no início da década, na excelente Angola 70s da editora Buda Musique). Mais uma coincidência para a história das felizes coincidências que de vez em quando acontecem no mundo de quem procura discos e que reforça a ideia de que não somos nós que encontramos os discos, mas os discos que nos escolhem a nós (ideia um pouco hippie, mas ainda assim interessante...). Como digitalizei o single de Avôzinho para a já referida emissão de África Eléctrica, parece-me mais do que apropriado deixá-lo por aqui. Música de Angola tocada pela liberdade. Como já referi anteriormente, estou a precisar de uma nova agulha, mas vale a intenção.
Felizmente, a minha caixa de correio não tem tido descanso e tem recebido algumas encomendas dignas de monta (da representante local da Strut, por exemplo!), mas confesso que a fantástica Vampi Soul me tem tratado com alguma deferência: dois dvds ainda no início desta semana (de Mooney Suzuki e Zeros) e ontem as duas mais recentes entradas "africanas" no cada vez mais incontornável catálogo desta editora espanhola - «All Stars Soul International» de Victor Olaya e «African carnival» de Fred Fisher Atalobhor. Informação oficial mais abaixo, mas, para já, importa reter a ideia de que são mais duas importantíssimas peças para o verdadeiro «work in progress» que constitui o esforço de redescoberta desta África (e neste caso específico, Nigéria) eléctrica que tem vindo a reemergir nos últimos anos graças ao esforço de labels como a Soundway, Analog Africa ou, pois claro, Vampi Soul. Entretanto, fica desde já a nota para os leitores mais fiéis do 2/4 the Bass que hoje será um dia especial dedicado a África: upload de mais um (ou dois...) África Eléctrica (o número 28), mais uma edição do Rip It Up e talvez mais um par de surpresas, sempre com sabor a África. Bom domingo!
Lembro-me muito bem do que senti quando, atrás do balcão da histórica Godzilla, Mark, o dono da loja, me deixou ser o primeiro a ver uma pilha enorme de maxis (e alguns LP's) históricos de hip hop. Devia correr o ano de 2000 e aquelas rodelas de vinil pareciam-me artefactos de uma época perdida, preciosos exemplares dos passos formativos de uma cultura que, à época, atravessava igualmente uma fase interesante por cá. O meu orçamento permitiu-me adquirir uns 20 ou 25 discos desse lote que ainda hoje permanecem na minha colecção, mas houve um sobretudo que comprei nesse dia que ainda hoje considero como uma das minhas pérolas: Egypt, Egypt, maxi de 1984 lançado na Egyptian Empire Records pelo então misterioso Egyptian Lover. O fascínio pelo Egipto era algo que já tinha identificado na música negra - de Sun Ra a Afrika Bambaataa, passando pelos Earth Wind & Fire e pelo artwork das etiquetas da Strata East, muitas eram as referências a uma nobre civilização africana em vários quandrantes da música negra. Mas The Egyptian Lover era algo diferente: já há anos que lia referências ao seu electro visionário, mas por alguma razão nunca tinha percebeido que o famoso «what is a dj if he can't scratch» que passava a vida a ouvir em mixtapes e samplado por inúmeros djs (o final dos anos 90 foi a época do Return of The DJ da Bomb Hip Hop e da imposição definitiva do turntablism) estava no lado B deste maxi.
Recentemente, a música de Egyptian Lover voltou a ganhar relevância: aproximou-se da Stones Throw que editou coisas do veterano Arabian Prince ou de Dam Funk e os seus clássicos voltaram a ser procurados. Como se percebe pelo link incluído atrás, Egyptian Lover continua activo e até assinou uma remistura para mais um lançamento de James Pants. Agora, o blog da marca Civil Clothing publicou uma interessante entrevista que reproduzo abaixo. Leitura divertida para o fim de semana que se aproxima. Larguem um bocadinho o jogo dos Space Invaders e investiguem a música de The Egyptian Lover.
Egyptian Lover: A trip into the mind of a True West Coast Electro Pioneer.
From his legendary run with Uncle Jamm’s Army in the 80s performing to touring with today’s young talent such as MIA, Stones Throw, no one can deny the influence Egyptian Lover has had on hip hop, electro and music today. His funky innovative sound with the use of the 808 keyboard, has had an impact on many artists from Dre’s use to create West Coast Gangsta rap and modern synthetics with artists such as Kanye West. “Egypt,Egypt” will forever be embedded on the soundtrack of hip hop’s everlasting history as well as being used as an anthem for bboys, poppers, lockers from yesteryear until today.
CIVIL: Yoo, whats up Egypt! For the younger cats in the game, can you tell us how you got started with music and Djing?
Egyptian Lover: I got started riding a bus to school everyday with others talking about how good they can make a tape. So I went home and made a pause button tape that blew everyone away. I started selling them and putting Raps that I made on them. This was back when “Rapper’s Delight” first came out so Rap was new to us and I had to let everyone know I could do it to! So every month I would do a new Rap Mix Tape and sell them at my School. James Monroe High in the San Fernando Valley. Snake Puppy from L.A. Dream Team and I used to rap together on the Bus and on some Mix Tapes. It was all about the Fun back then. I became so popular as a D.J. and Mixer that I joined Uncle Jam’s Army. I still remember the day Snake told Rodger from Uncle Jam’s Army that I was the best D.J. ever and he needed me to be a part of Uncle Jam’s Army. That is when everyone got a chance to see my Turntable Talent. I was then forced to make a record because of the popular demand. I played my 808 Drum Machine at the Dances and people would loose their minds.
CIVIL: So who were the crazy individuals that inspired you back then to come out with your incredibly unique sound?
Egyptian Lover: I was inspired by Kraftwerk and Prince.With Prince, I always liked his music and style back in the days. My heavy breathing in my music and the lyrics bout women is based on his music. Also my outfit back then, for example the Sailor Cappy I wear in the “Breakin and Entering” movie were leaned on Prince. Later I had the luck to meet Prince and he told me that he truly likes my music – I was surprised and honored.
CIVIL:A lot of artists today get a lot of hype with their recorded material, but when they perform live something is lacking. I notice your live show is sick and goes all out with a dance routine with the music, and incorporates bboys and poppers. How did you come up with this set?
Egypt: It’s what we did back in the day. I used to have a Live Band and go all out like Prince did back in the 80’s, Now I D.J. to show off my mixing skills, Dance to show of my Moves, and play my 808 to show off my Producing side. I try to let everyone know “That I can do it all Baby just like that”.
Let’s play a game, I say a word and answer with a single word what comes to mind:
808 - BASS Bambataa - Planet Rock Hip Hop - Don’t Stop West Coast Style - Egyptian Lover Style Obama - Leader Stones Throw - Team Kool Herc - Legend Ferrari - Fast Jerry Curl - Sexy
CIVIL:Are there any new projects you are working on today?
Egypt: Many new projects. I am putting out many new 12″ singles this year to celebrate Egyptian Empire records 25th Anniversary. Many songs on iTunes, a New Album, many collabs and many Videos.
CIVIL:You helped pioneer the west coast 808 sound, and I noticed a lot of producers today are influenced by this. What are you using today to make music?
Egypt:I still use my 808 and I will always use it. It has a sound that will never die.
CIVIL: I noticed you have a picture of yourself in an all Adidas track suit posing by a Ferrari, with the sickest hair. Tell me about those days
Egypt:It was much fun. Money, Cars and Women. Enough said!
CIVIL: How many babes did you get with that Ferrari?
Egyptian Lover: Too Many to count.
CIVIL:What exactly did you mean by “Freaky Kinky Nation”?
Egypt: A Nation of Kinky Freaks. All women as Horny as they can be. I can handle that. And I did not care what people said about it.
CIVIL: How do you want to be remembered as an artist?
Egypt:I want to be remembered as an Artist that did it all from A to Z. I wrote the songs, programmed the Beat, Made the track, laid the vocals, put it out on my label and sold it through my distribution company and performed the songs on stage. Just as my song says:
“What is a D.J. if he can’t Scratch?” “What is a M.C. if he can;’t Rap” “What is a Beat without a Live Clap?” “Well I can do it all Baby Just like That”
Depois do download, finalmente disponível num formato a sério - triplo vinil para os que ligam à qualidade do som!
The first DJhistory remix album has just put on weight from 10 tracks originally to a whopping 20. All never-heard original disco, lovingly retouched by the world’s finest remixers. In 1979 the cream of French and British session musicians gathered to record some of the most scorching disco music ever committed to vinyl. As a series of ‘Disco & Co’ albums on the Tele Music library label, this ended up as radio talk-show sound-beds and backing music for car chases on French cop shows. Le Sweeney, anyone? The few copies that slipped out were highly prized: today an original copy of the Arpadys LP goes for £300, if you can find one. As a service to disco, DJhistory has unearthed the original tapes and recruited an all-star cast of splicing fingers – the Unabombers, Ray Mang, the Idjut Boys, Leo Zero, Mudd, Al Kent, Faze Action, Mudd and Toby Tobias – to polish them up for today’s dancefloors. The results speak for themselves.
Encomendei directamente aos Kings Go Forth os dois últimos singles de uma série de três. O primeiro é já uma desejada raridade que, sabe-se, o grupo não tenciona reprensar. Ao que tudo indica o mesmo destino esperará os outros dois singles, uma vez que há neste momento alguma atenção devotada a este grupo que deverá ainda este ano estrear-e em formato grande através da Luaka Bop. Os Kings Go Forth juntam funk, soul e rhythm n' blues com harmonias vocais que há muito não se faziam ouvir desta maneira. Conseguem assim um som que deve tudo ao passado, mas que não é meramente revisionista. Com membros de diversos colectivos de Milwaukee (de jazz e de música latina ou até ska), há um colectivo de experiências nos Kings Go Forth que lhes dá uma perspectiva singular. E fresca. Esta é música profundamente honesta e, sinceramente, o presente precisa de coisas assim.
"Galactic Ramble" is the fullest study of the 60s and 70s UK music scene ever published. It covers thousands of albums, from pop, rock, psych and prog to jazz, folk, blues and beyond. The book covers both major label releases and private pressings, and artists ranging from household names (Beatles, Stones, Kinks, Who) to the terminally obscure, many of whom have never been written about before. Also included are excerpts from original reviews, hundreds of vintage illustrations, two sections of color plates featuring rare LP sleeves, top ten lists, recommendations, a catalog of non-LP 45s and an introduction by legendary producer David Hitchcock, making it truly essential for all serious music fans. This title's reviews are likely in "Q", "Mojo", "Record Collector" and other major music magazines. Featuring on BBC radio's "Freak Zone", to coincide with the publication. This has to be advertised in the UK music press.
O episódio é relatado na mais recente newsletter da Stones Throw e pode ser lida aqui ou, para maior comodidade vossa, reproduzida mais abaixo. Apesar de todos os processos - alguns dos quais movidos contra a própria etiqueta de Peanut Butter Wolf - é ainda possível encontrar quem perceba o real impulso de quem sampla - e neste caso quem samplou foi alguém cuja paixão pela música é indiscutível, Madlib! Num momento em que o hip hop avança para lá da samplagem do passado (ouvindo trabalhos de Ras G ou Jneiro Jarel ou Flying Lotus parece que se está a samplar o futuro!), pensar a forma como a memória foi processada em incontáveis gestos de "pilhagem" via sampler é, mais do que nunca, urgente. Não restam dúvidas de que a imagem que hoje temos do passado - imagem construída entre lançamentos da Strut, Soul Jazz ou Analog Africa e Now Again, entre tantas outras - é a que a lupa do sampling tornou visível. A mudança de interface - do sampler para o sintetizador ou laptop - pode significar que não há mais passados para descobrir? Para perceber que passados há ainda por cartografar teremos mesmo que esperar pelo... futuro.
Egon May 12, 2009
Matthew Larkin Cassell: The Complete Works Coming on Stones Throw in 2009
It’s not often that a sample clearance claim against a record company turns out to be an altogether pleasant experience. Usually it’s a blustery, puffy-chested affair with lawyers on both sides citing arcane copyright cases and threatening court proceedings as if the year were 1987 and Biz Markie had just released his first album on Cold Chillin.’
We’ve been fortunate to have gained access into the superb Raymond Scott catalog through our association with Basta Audio Visuals and Scott’s musical steward Irwin Chusid and, more recently, we inked a deal with singer, songwriter, pianist and man-in-the-know Matthew Larkin Cassell.
MLC hit us up after he heard his “Heaven,” from his superb (and superbly rare) album Pieces on the song “3.214” from the album Madvillainy 2: The Madlib Remix. At first Madlib had no idea of the import of his decision to lift MLC’s work until he put two and two together and realized that the Japanese bootleg 12” labled “MLC” stood for, well, you guessed it.
Who wouldn’t want access to the multi-tracks to MLC’s break-beat laded “My Life?” Madlib certainly did. And MLC wanted to see his entire catalog (comprised of the Pieces album, an EP entitled Matt The Cat, a 7” single and a recent vinyl EP) issued on CD and distributed digitally. So, I flew to the Bay Area, hung out with the man and committed his story to tape and got down to negotiations. Five months later, here we are. We’re officially announcing the soon-to-be-released Matthew Larkin Cassell The Complete Works and hinting that we might do something special with those multis. With MLC’s permission of course.